Olá a todas,
Decidi partilhar a minha história porque ainda estou a tentar processar tudo o que aconteceu e gostava de saber se alguém passou por algo semelhante.
Tenho um filho de 13 anos, fruto de uma gravidez completamente normal.
Após cerca de um ano e meio a tentar engravidar, consegui o meu positivo em março de 2025, mas infelizmente tive um aborto retido às 10 semanas, que terminou com aspiração uterina. Disseram-me que poderia ter sido um episódio isolado. Custou muito, mas tentei mentalizar-me de que, infelizmente, é algo relativamente comum.
Em agosto tive uma gravidez química. Fiz a pílula durante um mês para “limpar” completamente o útero. Na consulta seguinte, após a menstruação, estava tudo bem e tive luz verde para voltar a tentar. Engravidei logo no ciclo seguinte e descobri que estava grávida em outubro.
Apesar da ansiedade natural, sentia que desta vez estava tudo a correr bem. As ecografias do primeiro trimestre, os rastreios bioquímicos e as ecografias de rotina estavam todos normais.
Dois dias antes de completar 19 semanas tive consulta com o obstetra e estava tudo aparentemente bem. Pela proximidade da ecografia morfológica do segundo trimestre, foi a primeira vez que senti verdadeiro alívio. Pensei que, estando tudo bem até ali, pois já verificou alguns pontos importantes, a eco morfológica também estaria. Foi também a primeira vez que me permiti aproveitar mais a gravidez — inclusive comprei a primeira roupinha.
No dia em que completei 19 semanas, acordei por volta das 7h com perda de líquido. Não tinha dor, não tinha contrações, não tinha febre. Fui ao hospital e confirmou-se rotura prematura de membranas.
Nesse próprio dia o colo do útero media 45 mm e estava estável. As análises feitas na admissão não mostravam infeção. O meu bebé ainda estava bem mas já tinha o liquido diminuído.
Foi-me explicado o prognóstico muito reservado para esta idade gestacional e o risco elevado de infeção materna. 2 dias depois de internamento, depois de muita ponderação após nova ecografia, tive de iniciar o processo de interrupção médica da gravidez. Foi um momento de tristeza gigante, seguido depois do trabalho de parto e posterior aspiração para eliminar alguns restos placentários que acabaram por ficar.
O que mais me custa é não ter uma explicação clara. Não houve sinais prévios, o colo estava longo, não havia infeção identificada.
Sei que a probabilidade de voltar a acontecer algo semelhante pode ser superior numa próxima gravidez, e isso assusta-me muito. A ideia de reviver tudo novamente é, neste momento, o meu maior medo.
Ainda assim, tanto o médico que me acompanhou no hospital durante a interrupção após a rotura, como o meu obstetra e a médica de fertilidade que me acompanha desde o período em que estive mais de um ano em tentativas, tiveram a mesma opinião: encaram esta situação como um episódio de “azar” e consideram que tenho um bom prognóstico para vir a ter uma gravidez saudável. Disseram-me que poderia voltar a tentar após um ciclo menstrual.
A minha intuição — e a vontade enorme que tenho de ser novamente mãe — dizem-me para avançar. Quero muito voltar a tentar. Mas carrego comigo um medo grande. Um medo que sei que não me vai impedir de tentar outra vez, mas não me vai livrar dessa ansiedade.
Obrigada a quem se sentir confortável para partilhar 🤍





