Não sei como agir e o que sentir | De Mãe para Mãe

Não sei como agir e o que sentir

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LaraCarvalho -
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Desde 25 Fev 2019

Olá a todos, já acompanho o fórum à algum tempo mas como a minha busca pela maternidade tem sido atribulada e uma longa caminhada achei melhor afastar-me por um tempo. Porém é uma caminhada muito solitária e creio que apenas quem passa por elas é que compreende verdadeiramente a amplitude de tudo o que sentimos.
A questão é a seguinte após cerca de 7 anos a tentar, 3 IIU e 2 FIV e 3 tecs ainda seguimos à espera, no entanto tenho que lidar diariamente com a gravidez e maternidade de outras pessoas umas mais próximas que outras e por vezes não sei como lidar.
Não me considero uma pessoa invejosa, mas é algo que não dá para controlar é um sentimento de impotência e uma frustração enorme ver tanta gente a conseguir o MEU sonho e eu nesta luta...
Não gosto nada destes sentimentos gostava de saber de vocês que estão a passar pela mesma situação, como lidam, como reagem!??

Um abraço grande.

li gmr -
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Desde 15 Maio 2013

Olá Lara Carvalho...
Como te compreendo, nesses sentimentos...
No dia que uma das melhores amigas e também colega de trabalho, me confidenciou que estava gravida ( inesperada), e que não sabia ainda o que ia fazer, tive que me segurar literalmente para não cair,,,
Fiz a minha melhor cara e dei lhe os parabéns etc etc..
Ainda hoje não sei como consegui acabar o dia de trabalho..
Quando cheguei ao carro, tranquei-me e estive para mais de meia hora a chorar, aos gritos, aos murros ao volante e a perguntar "porquê, porquê???"
Como é que eu iria ter que levar com "aquilo" durante 9 meses, ou até vê-la decidir fazer um aborto...
Como é eu iria ver a vida dela e EU??
Ali há tanto tempo a tentar, a fazer tratamentos e NADA!!! (ninguém sabia dos tratamentos)
Esse dia foi arrasador!!!
Depois de umas folgas etc, passou-me a loucura!!!
Vivemos a gravidez dela muito bem e feliz, ajudei-a sempre nos trabalhos mais pesados etc etc..
Hoje os nossos filhos têm diferença de 13 meses!!!
Já não trabalhamos juntas e continuamos amigas!!!
Por isso esses sentimentos de raiva e revolta, são normais... É o desespero!!
Se tiver alguém com quem desabafar, será melhor!!
Não desista do seu sonho...
Um dia ele chega,, um dia!!!!

Sobre li gmr

Com força tudo se vence!!!

Flor.1987 -
Offline
Desde 09 Fev 2019

Querida Lara , não se sinta culpada por esses sentimentos, nunca ! Aceite-os, tem direito a eles.
(Não passei pelo mundo da infertilidade) mas tive um aborto, primeira gravidez , primeiro filho . Após o aborto, por ironia do destino a minha vida rodeava-se de grávidas, pessoas algumas de quem gostava muito ! E claro que também tinha esses sentimentos e aceitava-os . Nao é desejar mal às outras pessoas , claro não! É normal! E aceitando é mais fácil para nós.
Um beijinho muito grande e que dias melhores venham !

soniamst -
Online
Desde 22 Dez 2016

Vai conseguir realizar o seu sonho, apesar do caminho parecer longo. Tive algumas dificuldades em engravidar (não tanto com tu) e também me sentia triste por ver pessoas próximas grávidas e eu sem conseguir engravidar, sentia-me feliz por elas mas era inevitável não ficar triste.
Tenho uma grande amiga que nunca se abriu abertamente sobre o assunto comigo mas sei que também luta contra a infertilidade, quero-lhe contar pessoalmente. Sei que ficará feliz por mim mas também sei que se irá um pouco abaixo. Já tentei marcar um cafézinho com ela mas ainda não foi possivel, vou tentar conta-lhe na próxima semana e o que eu mais desejava era que ela também estivesse grávida, aí sim iria ser felicidade a dobrar.

LaraCarvalho -
Offline
Desde 25 Fev 2019

li gmr escreveu:
Olá Lara Carvalho...
Como te compreendo, nesses sentimentos...
No dia que uma das melhores amigas e também colega de trabalho, me confidenciou que estava gravida ( inesperada), e que não sabia ainda o que ia fazer, tive que me segurar literalmente para não cair,,,
Fiz a minha melhor cara e dei lhe os parabéns etc etc..
Ainda hoje não sei como consegui acabar o dia de trabalho..
Quando cheguei ao carro, tranquei-me e estive para mais de meia hora a chorar, aos gritos, aos murros ao volante e a perguntar "porquê, porquê???"
Como é que eu iria ter que levar com "aquilo" durante 9 meses, ou até vê-la decidir fazer um aborto...
Como é eu iria ver a vida dela e EU??
Ali há tanto tempo a tentar, a fazer tratamentos e NADA!!! (ninguém sabia dos tratamentos)
Esse dia foi arrasador!!!
Depois de umas folgas etc, passou-me a loucura!!!
Vivemos a gravidez dela muito bem e feliz, ajudei-a sempre nos trabalhos mais pesados etc etc..
Hoje os nossos filhos têm diferença de 13 meses!!!
Já não trabalhamos juntas e continuamos amigas!!!
Por isso esses sentimentos de raiva e revolta, são normais... É o desespero!!
Se tiver alguém com quem desabafar, será melhor!!
Não desista do seu sonho...
Um dia ele chega,, um dia!!!!

Obrigada, sim após uns dias de esta minha colega me ter contado...também me sinto um pouco conformada, compreendo e aceito que as pessoas não têm de andar em função da vida dos outros.
Neste caso concreto esta colega sabe perfeitamente da minha trajectória pois confidenciei diversas vezes em desabafo e agora prestes a fazer a ultima FIV chega-me com esta "novidade", sendo que o nosso trabalho está intimamente ligado...parece-me bastante irresponsável e coloca-me numa posição muito má.
Espero do fundo do coração que corra tudo bem...mas ainda não tenho o distanciamento e clareza necessária.

DianaES -
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Desde 08 Out 2013

Acho perfeitamente normal essa pseudo-inveja (não considero inveja porque não é por algo material, é mesmo pela sorte...) e não tem que se punir por sentir isso... É involuntário e na sua situação teria que ser uma pedra para não o sentir... E sentir tristeza e frustração porque alguém conseguiu não quer necessariamente dizer que lhe queira mal...
Desejo-lhe boa sorte e enquanto lhe for possível acho que não deve desistir do sonho.

LaraCarvalho -
Offline
Desde 25 Fev 2019

Flor.1987 escreveu:
Querida Lara , não se sinta culpada por esses sentimentos, nunca ! Aceite-os, tem direito a eles.
(Não passei pelo mundo da infertilidade) mas tive um aborto, primeira gravidez , primeiro filho . Após o aborto, por ironia do destino a minha vida rodeava-se de grávidas, pessoas algumas de quem gostava muito ! E claro que também tinha esses sentimentos e aceitava-os . Nao é desejar mal às outras pessoas , claro não! É normal! E aceitando é mais fácil para nós.
Um beijinho muito grande e que dias melhores venham !

Claro que não desejo mal a ninguém muito menos a uma criança que ainda não nasceu!!
Mas como é suposto reagir?! Não consigo fingir uma alegria que não existe e nem deveria...tenho que ser livre de poder expressar o que sinto ou simplesmente afastar-me até avaliar se estou bem para aceitar isto. O que a minha colega não percebe, que necessito de tempo...ás vezes é preciso saber colocar-nos no lugar do outro.
Prefiro afastar-me um pouco e ficar só com a minha dor do que ser mal interpretada e criar um atrito desnecessário.

LaraCarvalho -
Offline
Desde 25 Fev 2019

soniamst escreveu:
Vai conseguir realizar o seu sonho, apesar do caminho parecer longo. Tive algumas dificuldades em engravidar (não tanto com tu) e também me sentia triste por ver pessoas próximas grávidas e eu sem conseguir engravidar, sentia-me feliz por elas mas era inevitável não ficar triste.
Tenho uma grande amiga que nunca se abriu abertamente sobre o assunto comigo mas sei que também luta contra a infertilidade, quero-lhe contar pessoalmente. Sei que ficará feliz por mim mas também sei que se irá um pouco abaixo. Já tentei marcar um cafézinho com ela mas ainda não foi possivel, vou tentar conta-lhe na próxima semana e o que eu mais desejava era que ela também estivesse grávida, aí sim iria ser felicidade a dobrar.

Obrigada pelo apoio, só quem trava uma luta como a nossa pode compreender e mesmo assim cada um sente e reage de maneira diferente.

LaraCarvalho -
Offline
Desde 25 Fev 2019

DianaES escreveu:
Acho perfeitamente normal essa pseudo-inveja (não considero inveja porque não é por algo material, é mesmo pela sorte...) e não tem que se punir por sentir isso... É involuntário e na sua situação teria que ser uma pedra para não o sentir... E sentir tristeza e frustração porque alguém conseguiu não quer necessariamente dizer que lhe queira mal...
Desejo-lhe boa sorte e enquanto lhe for possível acho que não deve desistir do sonho.

Não vou desistir, mesmo porque já temos tratamento marcado, a ultima FIV e digo ultima não só por se acabarem as tentativas no público mas sim porque o cansaço já é tanto e não conseguimos continuar a viver em função da infertilidade.
Esta é só mais uma pressão desnecessária numa fase que deveria estar tranquila...mas enfim.

Flor.1987 -
Offline
Desde 09 Fev 2019

soniamst escreveu:
Vai conseguir realizar o seu sonho, apesar do caminho parecer longo. Tive algumas dificuldades em engravidar (não tanto com tu) e também me sentia triste por ver pessoas próximas grávidas e eu sem conseguir engravidar, sentia-me feliz por elas mas era inevitável não ficar triste.
Tenho uma grande amiga que nunca se abriu abertamente sobre o assunto comigo mas sei que também luta contra a infertilidade, quero-lhe contar pessoalmente. Sei que ficará feliz por mim mas também sei que se irá um pouco abaixo. Já tentei marcar um cafézinho com ela mas ainda não foi possivel, vou tentar conta-lhe na próxima semana e o que eu mais desejava era que ela também estivesse grávida, aí sim iria ser felicidade a dobrar.

Sónia, em primeiro lugar parabéns pela sua gestação! Em segundo , permita -me uma opinião franca e sincera sobre o que disse... Não acha que quando contar pessoalmente a essa sua amiga que luta contra a infertilidade a vai deixar numa posição se calhar até constrangedora ? Pq claro que sendo sua amiga vai ficar feliz por si , mas estando a lutar contra a infertilidade vai inevitavelmente ser invada por estes sentimentos de que aqui se fala , ficando certamente constrangida para que a Sonia não perceba.
Ainda por cima , se a Sónia só suspeita que a sua amiga luta contra a infertilidade , é pq ela não sentiu a vontade suficiente de lhe contar. Acho que um "cara a cara" pode ser duro para a sua amiga ...
Eu certamente lhe mandaria uma mensagem , onde ela se pode camuflar atrás de um Tlm para lhe dizer o que quiser , gerir o assunto à maneira dela e aí sim , depois um "cara a cara" , quando ela assimilar . Não me leve a mal . É só uma opinião do que gostaria que fizessem cmg.
(Também estou grávida, não tenho ninguém à volta que saiba que luta contra a infertilidade , mas seria isso que fazia caso soubesse )

patruixia -
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Desde 05 Jul 2011

Flor.1987 escreveu:

soniamst escreveu:Vai conseguir realizar o seu sonho, apesar do caminho parecer longo. Tive algumas dificuldades em engravidar (não tanto com tu) e também me sentia triste por ver pessoas próximas grávidas e eu sem conseguir engravidar, sentia-me feliz por elas mas era inevitável não ficar triste.
Tenho uma grande amiga que nunca se abriu abertamente sobre o assunto comigo mas sei que também luta contra a infertilidade, quero-lhe contar pessoalmente. Sei que ficará feliz por mim mas também sei que se irá um pouco abaixo. Já tentei marcar um cafézinho com ela mas ainda não foi possivel, vou tentar conta-lhe na próxima semana e o que eu mais desejava era que ela também estivesse grávida, aí sim iria ser felicidade a dobrar.

Sónia, em primeiro lugar parabéns pela sua gestação! Em segundo , permita -me uma opinião franca e sincera sobre o que disse... Não acha que quando contar pessoalmente a essa sua amiga que luta contra a infertilidade a vai deixar numa posição se calhar até constrangedora ? Pq claro que sendo sua amiga vai ficar feliz por si , mas estando a lutar contra a infertilidade vai inevitavelmente ser invada por estes sentimentos de que aqui se fala , ficando certamente constrangida para que a Sonia não perceba.
Ainda por cima , se a Sónia só suspeita que a sua amiga luta contra a infertilidade , é pq ela não sentiu a vontade suficiente de lhe contar. Acho que um "cara a cara" pode ser duro para a sua amiga ...
Eu certamente lhe mandaria uma mensagem , onde ela se pode camuflar atrás de um Tlm para lhe dizer o que quiser , gerir o assunto à maneira dela e aí sim , depois um "cara a cara" , quando ela assimilar . Não me leve a mal . É só uma opinião do que gostaria que fizessem cmg.
(Também estou grávida, não tenho ninguém à volta que saiba que luta contra a infertilidade , mas seria isso que fazia caso soubesse )


Eu por outro lado acho que é a melhor atitude. Quando a minha amiga engravidou, exactamente 12 meses depois de iniciar as tentativas, já andava preocupada e tal não me contou logo. contou a toda a gente menos a mim.Pois isso sim me magoou...a minha outra amiga por outro lado, jantou cmg e eu fui a 3a pessoa a saber. curiosamente disseram-me no mesmo dia...eu pensei o que será que fiz para merecer isto...pk todos podem e eu não...chorei mt. Mas a forma cm a minha amiga me tratou com atenção a minha situação em vez de me esconder como a outra, fez toda a diferença. eu percebo, mas acho que saber por outros ou por uma msg como se fosse a dar o tempo não é igual...

Flor.1987 Hoje já lido melhor com a minha situação, já aceitei o problema e vivo mais tranquilamente. Mas olhe todas passamos por esses sentimentos men os bonitos...E mt dor pelo meio...é inevitável. Acho que tem de levar o seu tempo a aceitar isso e pensar em si. Neste momento nada mais importa. A sua amiga tem a vida dela e a Flor tem a sua. E portanto viva a sua ao máximo, espero que o tratamento resulte e que todos esses fantasmas desaprareçam. E quem sabe dentro de um ano estão juntas a falar de fraldas ahahha Sorriso

soniamst -
Online
Desde 22 Dez 2016

Flor.1987 escreveu:

soniamst escreveu:Vai conseguir realizar o seu sonho, apesar do caminho parecer longo. Tive algumas dificuldades em engravidar (não tanto com tu) e também me sentia triste por ver pessoas próximas grávidas e eu sem conseguir engravidar, sentia-me feliz por elas mas era inevitável não ficar triste.
Tenho uma grande amiga que nunca se abriu abertamente sobre o assunto comigo mas sei que também luta contra a infertilidade, quero-lhe contar pessoalmente. Sei que ficará feliz por mim mas também sei que se irá um pouco abaixo. Já tentei marcar um cafézinho com ela mas ainda não foi possivel, vou tentar conta-lhe na próxima semana e o que eu mais desejava era que ela também estivesse grávida, aí sim iria ser felicidade a dobrar.

Sónia, em primeiro lugar parabéns pela sua gestação! Em segundo , permita -me uma opinião franca e sincera sobre o que disse... Não acha que quando contar pessoalmente a essa sua amiga que luta contra a infertilidade a vai deixar numa posição se calhar até constrangedora ? Pq claro que sendo sua amiga vai ficar feliz por si , mas estando a lutar contra a infertilidade vai inevitavelmente ser invada por estes sentimentos de que aqui se fala , ficando certamente constrangida para que a Sonia não perceba.
Ainda por cima , se a Sónia só suspeita que a sua amiga luta contra a infertilidade , é pq ela não sentiu a vontade suficiente de lhe contar. Acho que um "cara a cara" pode ser duro para a sua amiga ...
Eu certamente lhe mandaria uma mensagem , onde ela se pode camuflar atrás de um Tlm para lhe dizer o que quiser , gerir o assunto à maneira dela e aí sim , depois um "cara a cara" , quando ela assimilar . Não me leve a mal . É só uma opinião do que gostaria que fizessem cmg.
(Também estou grávida, não tenho ninguém à volta que saiba que luta contra a infertilidade , mas seria isso que fazia caso soubesse )

No meu caso em concreto acho que não será correcto da minha parte enviar apenas um SMS a contar a novidade, a minha amiga merece que lhe conte pessoalmente e sei que ela prefere assim. As SMS e e-mails tornam-se impessoais em determinados assuntos pelo que só o faria desta forma se ela morasse muito distante de mim (estrangeiro ou numa cidade afastada).
Boa sorte e não desanime. às vezes ajuda falar com verdadeiros amigos e confidenciar o nosso problema (foi o que fiz) pois assim não estavam sempre a pressionar-nos a perguntar quando é que íamos ter um filho.

Flor.1987 -
Offline
Desde 09 Fev 2019

soniamst escreveu:

Flor.1987 escreveu:
soniamst escreveu:Vai conseguir realizar o seu sonho, apesar do caminho parecer longo. Tive algumas dificuldades em engravidar (não tanto com tu) e também me sentia triste por ver pessoas próximas grávidas e eu sem conseguir engravidar, sentia-me feliz por elas mas era inevitável não ficar triste.
Tenho uma grande amiga que nunca se abriu abertamente sobre o assunto comigo mas sei que também luta contra a infertilidade, quero-lhe contar pessoalmente. Sei que ficará feliz por mim mas também sei que se irá um pouco abaixo. Já tentei marcar um cafézinho com ela mas ainda não foi possivel, vou tentar conta-lhe na próxima semana e o que eu mais desejava era que ela também estivesse grávida, aí sim iria ser felicidade a dobrar.

Sónia, em primeiro lugar parabéns pela sua gestação! Em segundo , permita -me uma opinião franca e sincera sobre o que disse... Não acha que quando contar pessoalmente a essa sua amiga que luta contra a infertilidade a vai deixar numa posição se calhar até constrangedora ? Pq claro que sendo sua amiga vai ficar feliz por si , mas estando a lutar contra a infertilidade vai inevitavelmente ser invada por estes sentimentos de que aqui se fala , ficando certamente constrangida para que a Sonia não perceba.
Ainda por cima , se a Sónia só suspeita que a sua amiga luta contra a infertilidade , é pq ela não sentiu a vontade suficiente de lhe contar. Acho que um "cara a cara" pode ser duro para a sua amiga ...
Eu certamente lhe mandaria uma mensagem , onde ela se pode camuflar atrás de um Tlm para lhe dizer o que quiser , gerir o assunto à maneira dela e aí sim , depois um "cara a cara" , quando ela assimilar . Não me leve a mal . É só uma opinião do que gostaria que fizessem cmg.
(Também estou grávida, não tenho ninguém à volta que saiba que luta contra a infertilidade , mas seria isso que fazia caso soubesse )

No meu caso em concreto acho que não será correcto da minha parte enviar apenas um SMS a contar a novidade, a minha amiga merece que lhe conte pessoalmente e sei que ela prefere assim. As SMS e e-mails tornam-se impessoais em determinados assuntos pelo que só o faria desta forma se ela morasse muito distante de mim (estrangeiro ou numa cidade afastada).
Boa sorte e não desanime. às vezes ajuda falar com verdadeiros amigos e confidenciar o nosso problema (foi o que fiz) pois assim não estavam sempre a pressionar-nos a perguntar quando é que íamos ter um filho.

Querida Sônia, julgo ter -me interpretado mal . Nunca passei pela infertilidade. Engravidei em setembro 1 mês após a paragem da pílula, perdi em novembro , em janeiro iniciei treinos e em fevereiro tive novo positivo. Portanto, não sei o que é querer engravidar e não conseguir ou passar por todos os tratamentos. Mas sei o que é engravidar e perder .
Eu pessoalmente, por exemplo na altura em que tive o aborto se alguma amiga minha tivesse engravidado , preferia que não "me esfregasse olhos nos olhos na cara " . É o que aqui falamos , não é o querermos mal a ninguém, longe disso , mas é um conflito interior muito grande que é preciso gerir e ter tempo para gerir . Mas claro que cada pessoa é diferente ! ... e se acha que é o melhor para a sua amiga ... que assim seja!

LaraCarvalho -
Offline
Desde 25 Fev 2019

Cada caso é um caso, e agora falo por experiência própria e não vamos dourar a situação, porque o choque existirá seja presencialmente ou não e cada pessoa lida de maneira diferente é certo.
Se gostaria de não saber ou vir a saber de forma impessoal ou daqui a uns meses,claro que não mas também derivado á nossa proximidade.
No meu caso a pessoa de quem falei no 1º post contou-me presencialmente e claro foi um choque, segundo ela fui das primeiras a saber por conhecer a minha história e por saber que iria abalar o meu psicológico, a minha reacção foi péssima bem sei...porque ao contrário do que tenho sentido em relação á minha situação eu consigo ter empatia e colocar-me do outro lado.
Houve aqui uma menina que disse que ao comunicar por outra forma que não presencial permitiria á outra pessoa reflectir e colocar as coisas em perspectiva.
Ultimamente tenho tentado preservar o meu sentimento e acima de tudo respeitar a minha revolta...tenho direito a ela...não estou para fingir e reprimir os meus sentimentos em prol de outros. Passará um dia ou não, mas entretanto vou-me permitir...
Desculpem se ferir susceptibilidades mas tornei-me egoísta e egocêntrica...vou tratar de mim, vou pensar em mim...mais ninguém o faz.

Todos os dias tenho pensado o numero infinito de situações em que as pessoas com quem nos cruzamos todos os dias são incapazes de se colocar no lugar do outro, é a tal da empatia...

Um beijinho a todas.

LaraCarvalho -
Offline
Desde 25 Fev 2019

Cada caso é um caso, e agora falo por experiência própria e não vamos dourar a situação, porque o choque existirá seja presencialmente ou não e cada pessoa lida de maneira diferente é certo.
Se gostaria de não saber ou vir a saber de forma impessoal ou daqui a uns meses,claro que não mas também derivado á nossa proximidade.
No meu caso a pessoa de quem falei no 1º post contou-me presencialmente e claro foi um choque, segundo ela fui das primeiras a saber por conhecer a minha história e por saber que iria abalar o meu psicológico, a minha reacção foi péssima bem sei...porque ao contrário do que tenho sentido em relação á minha situação eu consigo ter empatia e colocar-me do outro lado.
Houve aqui uma menina que disse que ao comunicar por outra forma que não presencial permitiria á outra pessoa reflectir e colocar as coisas em perspectiva.
Ultimamente tenho tentado preservar o meu sentimento e acima de tudo respeitar a minha revolta...tenho direito a ela...não estou para fingir e reprimir os meus sentimentos em prol de outros. Passará um dia ou não, mas entretanto vou-me permitir...
Desculpem se ferir susceptibilidades mas tornei-me egoísta e egocêntrica...vou tratar de mim, vou pensar em mim...mais ninguém o faz.

Todos os dias tenho pensado o numero infinito de situações em que as pessoas com quem nos cruzamos todos os dias são incapazes de se colocar no lugar do outro, é a tal da empatia...

Um beijinho a todas.

Raiz -
Offline
Desde 13 Nov 2015

Falo vos da minha experiência... Que vai longa, muito longa. Resumindo 8 transferências: 4 não implantações, 5 gravidezes ( 1 delas natural). Com Um dos abortos com direito a contracoes de 2 em 2 minutos e tudo...
Quando iniciei os tratamentos e tive a primeira não implantação... Tive a minha cunhada grávida, e as minhas duas melhores amigas grávidas e Logo a seguir uma outra amiga. Todas de 2° filho e uma delas ponderava abortar...
Só eu sei a culpa e a dor que senti por não conseguir tbm e por não me sentir feliz por ir ser tia novamente.
E também de ter que sorrir quando me informam da gravidez e eu me sentia a desfalecer por dentro...
Já para não falar de uma colega de trabalho que rapidamente se tornou minha amiga muito próxima e que me acompanhou em todo o processo ajudando a dar me as injeções e acompanhando e vivendo comigo todo este caminho de dor... E sei que sofreu comigo. E ser lhe ei sempre grata pelo que me apoiou.
Mas sendo tão próximas uma da outra tornou se difícil perdoar ela ter engravidado sem me ter falado que estava a tentar... Senti-me traída. Porque pensava ter maior importância para ela.
E a nossa amizade foi muito abalada.
Da minha parte posso dizer vos que por muito que custe ouvir a notícia, ficamos muito agradecidas de nos terem em conta e se preocuparem no imediato connosco.
Nada custa mais do que pensarmos que não foram leais connosco.
Está é a minha experiência e ficava como fiquei muito magoada quando senti que não fui tida em conta.. Fazem nos sentir muito pior...
E fiquei muito contente quando a preocupação em me dizerem foi imediata. Pelo menos sentimos que se preocupam realmente connosco.

Sobre Raiz

HUC(fev 14 a mai 15); 1 fiv canc.;1 fiv neg.; 5 tent.fiv cicl.nat.
IVI Lx (jul 15 a mai.19):1 fiv pos-aborto c/9,5 s; 2 TECs neg.març e mai 16 ; grav.nat dez 16 - aborto 6s;
maio 17tec posit- aborto 5,5 s.; fiv nov 17pos.aborto 5,5 s.;TEC - Fev 18 neg, TEC set pós.aborto 5s; tec mai 19

Sinal e Lola87 -
Offline
Desde 09 Set 2013

Bem, ao fim de todos estes anos já passei por estas situações uma série de vezes sem conta e por isso compreendo-vos bem.
Há uns anos chorava e gritava sempre que alguma amiga ou familiar me contava estar grávida, não conseguia ficar feliz por essas pessoas, não por maldade, mas por mim. Sim, é provável muito egoísmo mas era assim que me sentia.
Os meus cunhados tentavam engravidar há quase 2 anos e quando já estavam metalizados que iriam precisar de procurar ajuda, a minha cunhada contou-me que estava grávida. Fui das primeiras pessoas a saber pois ela sabia o que eu estava (e estou a passar). Lembro-me que estava junto ao rio em Vila do Conde quando soube e chorei uma tarde quase inteira. Ainda me chateei com o meu marido porque ele me disse que não devia reagir assim. Ora bolas, só eu sei o murro que levei...
Bem, hoje a Pequena tem 3 anos e aqui a tia babada adora-a, isso nunca esteve em questão. A minha cunhada é um dos meus pilares, é uma das poucas pessoas que está sempre ao meu lado a puxar-me para cima quando a minha vontade é atirar a toalha ao chão e mandar tudo às favas. Mas naquela hora eu chorei muito e ela sabe que não foi por maldade. Hoje em dia as minhas reações já são diferentes, já não choro quando uma amiga está grávida, ou um familiar, mas tudo isto depende. Somos seres humanos, vivemos uma situação muito complicada, eu acho normal reagir assim é ficar triste por nós. Isso não significa que estejamos tristes pela outra pessoa.
Um beijinho à todas.
Cláudia

Em treinos para a primeira estrelinha desde Agosto 2013.
06/2015 - 1º consulta de apoio à fertilidade no Hospital Póvoa de Varzim
01/2017 - Transferência de processo para o Hospital São João
IIU - Jul/2017 (cancelada)
ICSI - Nov/2018 (-)
TEC - Mar/2019 (cancelada)

Maggy86 -
Offline
Desde 03 Nov 2017

Olá meninas, não consigo deixar de me emocionar. Também eu me identifico com o que li. Trabalho com grávidas e bebés todos os dias pois é a minha profissão. Acho que já ando anestesiada...por um lado adoro o que faço e sou reconhecida por isso, por outro lado, sem dar a perceber, tenho de reprimir a minha dor. Mas em casa quantas vezes choro, quantas vezes me revolto. Quantas vezes digo porquê a mim?? Mas que chapada que a vida me deu, lidar com o que mais sonho todos os dias!! 😔 Não estamos contra ninguém, quando reagimos assim é porque a nossa dor é verdadeira, porque o sentimento de tristeza e frustração por não termos a bênção de experiênciar a mesma vivência, nos vai matando aos poucos. Inclusivé já pensei várias vezes em desistir do que faço, mas o salário é importante para quem anda nesta luta. Como se não bastasse o resto, ainda temos de nos privar de uma série de coisas que até nós ajudariam a distrair a mente, mas não podemos porque nunca se sabe o que vem a seguir. É duro, muito duro, só quem passa entende todas as dimensões que fazem parte da infertilidade. Vai-nos roubando tudo, alegria, paz de espírito, produtividade, motivação, sono, etc., etc. Daí que ver muitas grávidas já estou habituada, pior é quando são pessoas mais próximas como colegas ou familiares. Também eu tive uma colega da minha idade que estava na mesma situação que eu, no mesmo objetivo de engravidar. Falamos várias vezes sobre isso. Na última vez que falámos, ela já sabia que estava grávida e falou com preocupações e medos sobre o tema, como se nada fosse. Quando contou a novidade, tive de engolir em seco e dar-lhe os parabéns. O pior veio a seguir, chorei dias a fio. Também me senti "traída". Se pensarmos bem estas pessoas têm direito e motivos para estarem felizes e temos compreender por mais que nos custe. Muitas delas não fazem por mal, apenas vivem a felicidade do momento e não a sabem medir junto de nós. De momento, tive de me proteger psicologicamente e encara-lá como qualquer outra grávida que tenho e estarmos mais distanciadas.
Não se culpem, pois já que não temos o mais sonhamos, ainda temos direito a sermos nós próprias e termos os nossos sentimentos. E a empatia tem de existir de ambos lados e não só da nossa parte cada vez que alguém nos conta da sua gravidez, principalmente se essa pessoa sabe o que passamos. Beijinhos a todas.

PatL -
Offline
Desde 18 Mar 2015

Por cá são mais de 7 anos nesta luta inglória. Tenho assistido a diversas fases à minha volta: o início da constituição de famílias, a continuação da perpetuação das mesmas, o encerrar de alargamento de projetos parentais, os percursos escolares que se vão definindo, famílias que se dissolvem. Tudo somado são já dezenas as crianças que nasceram no meu núcleo mais próximo. Sim, houve momentos em que tive dificuldade em assimilar, porque a maioria destas crianças surgiu depois de eu ter entrado nesta viagem maldita. Não entrei nisto quando ia fazer 32 anos, por me apetecer ser mãe depois dos 40. O percurso tem sido tão sinuoso que mesmo essa hipótese, pode não acontecer.
Atualmente não me ralo com novas gravidezes de pessoas próximas. São cada vez menos frequentes, pois como referi, praticamente toda a gente que me é mais chegada está noutro patamar com 1, 2 ou 3 filhos. As suas preocupações estão noutra dimensão.
Convenci-me que tenho de me aceitar, por mais raiva que possa sentir de mim mesma. A infertilidade bateu-me à porta, essa é uma realidade para a qual estou ciente há 25 anos. Cada um de nós tem os seus próprios obstáculos a ultrapassar ao longo da vida, até mesmo quem esteja a anos luz de conhecer este mundo infértil.

Beijinhos a todas!

Sobre PatL

Início: 11/11 SOP, inexpl. 6 CP 2013/14 Dufine 1, 2 e 3 comp.
IIU: 05/15 cancel; 08/15 cancel.
FIV: 02/16(SHO) 12 embr; 04/18(SHO) 4 embr
TEC: 05/16(-); 09/16(+) grav BQ; 01/17(-); 05/17(+) AE; 10/17(+) AE; 06/18(-); 11/18(+) grav BQ
PGT-A: talvez em 2019
http://seiquechegaras.blogspot.com

AtrasDeUmSonho -
Offline
Desde 29 Jan 2007

Concordo com tudo o que já foi dito e na primeira transferência contem as amigas e família depois veio o negativo e contei o desfecho e partir dai só conto a quem pergunta com interesse e preocupação que se resume a pais e uma cunhada e sobrinha de resto digo a toda a gente que estou a dar um tempo. Não quero que me perguntem as mesmas coisas quando percebo que nao há interesse verdadeiro. E afastei-me de toda essa gente, só ficamos com um casal e alguns solteiros, o resto venho a saber das noticias pelo facebook dou os Parabéns e pronto.
Os meus ombros sempre serviram para toda a gente chorar, a minha casa sempre esteve aberta e pronta a receber amigos com problemas mas a infertilidade mostrou-me que os outros não estão assim disponíveis para nós e que quando esta tudo bem anda tudo na sua vida sem se preocuparem. Por isso pela primeira vez estou a cuidar de mim, estou a olhar por mim e a permitir-me sentir tudo sem ter de esconder com sorrisos e braços abertos.
Chamem-me egoísta mas não tenho remorsos, é a minha maneira de lidar com isto e se não entendem também não me procuram para entender, só procuram quando têm problemas.
Primeiro estou eu e o meu marido depois aqueles que se preocupam connosco.
Problemas já nós temos e não precisamos de dramas e de perguntas inconvenientes que já foram respondidas 10 vezes.
Neste momento aguardo mais um desfecho (que me parece mais um negativo) e não quero saber se A ou B fica magoada se eu me fechei.

Que sejam todos felizes no seu Mundo Cor de Rosa. Eu continuo em busca da minha e só quero a minha volta quem me abraça <3

O que nosso esta guardado, que seja como Deus quiser <3

Cirurgia 2008 -1 ovario - endometriose
Fiv 05/2018 2 embrioes 1 A e outro C (-) Cirugia hematossalpinge 8/2018
Fiv 11/2018 8 embri A- TEC de 2 (-)
Tec 03/2019 P Gravidez n/evolutiva 💔🖤

LaraCarvalho -
Offline
Desde 25 Fev 2019

Olá PatL, no meu caso também já são sete anos de luta, os primeiros três não pensámos que houvesse de facto um problema, começámos a tentar com um ano de casados e com idades de 25 e 27. Só depois de tres anos é que procurámos ajuda, no entanto não temos um diagnóstico.
Já passei por vários exames e tratamentos de 1ª e 2ª linha...a única gravidez evolutiva foi espontânea.
Pensamos que estas coisas só acontecem aos outros...custa muito a encaixar a ideia que se tem um problema quando na realidade nos dizem que fisicamente não temos qualquer problema.
Considero que até tenho lidado bem com esta situação, com a frustração a tristeza mas também com as gravidezes e a parentalidade em geral, no entanto esta situação por ser tão próxima me abalou tanto...numa fase como disse em que é "vai ou raxa", pois é o nosso ultimo tratamento...esgotamos as nossas possibilidades e recursos.
Partilhar convosco e saber que por vezes há histórias tão semelhantes dá algum alento pois cada um à sua maneira conseguiu "superar" e continuar.

"atrasdeumsonho" esta é uma luta muito solitária, pois por muito que se queira partilhar com a família e amigos estas pessoas não percebem a amplitude daquilo porque temos que passar para podermos ter um filho e que contrariamente ao que pensam para nós não é um processo assim "natural" e "romântico"...e repetidamente vemo-nos voltar á estaca zero e cada vez mais consumidos psicologicamente, fisicamente e economicamente.
Neste momento vou-me preparar para o ultimo tratamento e estou a passar por um turbilhão, mas não pretendemos contar a ninguém pois acho o beneficio do "apoio" destes não se compara à pressão que podem exercer...
Espero que 3ª (FIV) seja de vez...

Um beijinho.

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