Olá,
já cá não vinha há uns bons meses, por um lado é bom sinal... Mas hoje apoquentei-me com uma coisa e gostava da vossa opinião.
Vamos por partes, sempre fui uma criança comunicativa, sou a do meio de dois irmãos, andei na pré antes da escola e nunca experimentei nenhum tipo de segregação, salvo um ou outro episódio com alguma amiga pseudo-líder, acho que nunca sofri nada relacionada com isso. E considero-me uma pessoa simpática, reservada mas conversadora e simpática. Não sou de meter paleio, mas se me falam respondo e acho que guio bem conversas substanciais, o normal. Sou de sorriso fácil.
O meu marido, filho único, que não frequentou a pré antes da escola teve algumas dificuldades de entrosamento, a minha sogra diz que era "um bichinho" e só começou realmente a ter amigos quando iniciou o futebol aos 11/12 anos. O meu marido não é uma pessoa nada simpática. Só sorri mesmo para rir, de resto é bastante sisudo.
A minha filha, acho que socialmente sai ao pai. Apesar de ela andar desde os dois anos na pré é um criança reservada. Ela é o que eu chamaria no meu tempo de um bocadinho enjoadinha. Mesmo nas atividades extracurriculares ela simplesmente não faz amizades. Anda na natação há dois anos e nem o nome dos companheiros sabe... Já quis ir para a dança em duas classes diferentes e desistiu, só não desiste da natação porque não é uma opção, quero mesmo que frequente até aprender a nadar. E tudo bem com isto, cada um é como é... A popularidade não é um indicador de nada... O problema é que agora no segundo ano começa a colher os frutos desta sua forma de ser, hoje queixou-se que uma amiga levou canetas para oferecer por fazer anos e ela foi a última a quem foi dada a escolher a caneta. Existem duas atividades em andamento na sala em que vão passando o testemunho e escolhem o próximo e ela está na eminência de ser a última a ser escolhida. E eu não sei bem que lhe diga. Perguntei se é simpática para os amigos...ela diz que sim mas sei que muitas vezes é um bocado enjoadinha... Vejo isso com crianças filhos de amigos nossos por exemplo... Eu disse que a forma como tratamos os outros depois se reflete na forma como nos tratam ou se querem ou não a nossa companhia, mas ela não parece ainda perceber bem essa dinâmica. A questão é que ela se isola, por exemplo, estão a brincar a coisas que não lhe agrada, prefere ficar sozinha que sujeitar-se. Eu por um lado acho de louvar que não seja a maria vai com as outras, que tenha "coragem" de não querer se são sempre as mesmas a "mandar"... E que lhe seja mais lógico estar sozinha que contrariada. Ela não está literalmente para fretes. Mas depois pergunto-me se não seria mais fácil para ela mesma ser como as outras e querer é estar enturmada. Fico sem saber o que lhe dizer ou aconselhar. Help?!
Não, não acho que seja anti-social. Estas coisas passam muito pela personalidade e carisma de cada um. Seria um problema se ela fosse rejeitada, outra coisa é ela não fazer muita questão de fazer parte do grupo.
"Mas depois pergunto-me se não seria mais fácil para ela mesma ser como as outras e querer é estar enturmada". No dia que ela sentir que é mais fácil, fá-lo-á, não vai muito por aquilo que se possa dizer-lhe.
Não tem mal não ser a pessoa mais popular ou dar-se bem na sua a fazer as coisas que lhe apetece. Não há uma garantia que sendo mais enturmada vá ser escolhida "mais cedo". Eles vão adaptando a sua maneira de reagir e gerir as situações e as amizades ao longo da vida.
Olá mamã!
Por curiosidade, a sua menina é assim também com os adultos ou só com as crianças da idade dela? No período que não está na escola, brinca com outras crianças ou brinca com adultos e/ou sozinha?
O comportamento da sua menina pode ser só a expressão da sua personalidade, e sendo assim ela em princípio lidará bem com as consequências, ou então vem de um lugar de vergonha, pode sentir-se constrangida e timida na presença dos outros meninos, o facto de não conseguir fazer amigos facilmente pode magoá-la, e ao ficar sempre para último nas escolhas dos meninos ainda mais. Se for o primeiro caso, é lidar, cada um é como é, e no mundo que corre, com todos os perigos que há, até é bom ela ser mais resenvada e contida. Só tem que demonstrar que a ama como ela é, e não como gostaria que fosse. Se por outro lado acha que isso lhe causa sofrimento, pode tentar organizar encontros em sua casa, ou noutro lugar, com os amigos da escola. Tambem pode incutir o senso de comunidade com algumas atividades como os escuteiros. Grupos de teatro, se ela gostar, também costumam ajudar.
Tudo a correr bem!
Olá,
o meu filho do meio parece ser como a sua filha. Não faz fretes. Não quer, afasta-se e, se necessário, levanta a voz. Não é por acaso que os miúdos da idade dele preferem brincar com o irmão. Mas nunca o vi chateado com isso e até agradece.
Como não é filho único, acaba por fazer as atividades extracurriculares com o irmão (todos gostam dele e tem conhecidos em todo o lado). Não quis ir para os escuteiros (respeitamos) e desistiu das aulas individuais de música (tolera as de grupo). Por ele não andava em nada, nem na escola! O facto de ter irmãos tbm faz com que ele seja contrariado MUITAS vezes. Está sempre a refilar, mas fazer o quê?
Na escola tem sorte em ser menino, acho que as meninas são mais complicadas nas amizades.
Sempre fui reservada e não tinha muitos amigos, mas vivia bem com isso (tive sempre com quem brincar). Sei que pelo menos uma vez houve uma festa de anos em que não fui convidada. Sem problemas! Mas depois pediam-me para copiar nos testes ou os TPCs (acaba por deixar). Enfim... é a vida.
Ainda hoje adoro estar sozinha mas vou socializando, principalmente depois de ter filhos. Mas a minha bagagem social satura facilmente. Anti-social acho que não sou. 🙂
Ouça a sua filha e faça-a perceber as consequências. Se uma das consequências for ficar para o fim... paciência. O importante é que ela aceite isso bem.
Temos perceber que somos todos diferentes, mas há coisas que tbm se moldam.
Eu acho que tens razao em tudo o que dizes, e todas as tuas análises estao corretas do meu ponto de vista.
Ou seja, é colher o que se semeia. E isso é ao longo de toda a vida.
A questao é que as crianças, por vezes podem ser más e fazer de proposito (o exemplo de deixar para ultimo da fila), mas sao crianças e vao por sentimentos.
Ou seja (tal como os adultos), se eu nao vou muito com a tua cara, vou primeiro aos que me caem bem.
Nós adultos, regra geral, lidamos bem com isso. Porque temos o poder de fazer escolhas sobre a nossa vida. E temos um mundo á nossa volta com muita gente que podemos selecionar para a nossa vida, de acordo com a nossa personalidade. Mas as crianças ainda nao.
A tua filha nao percebe a consequência, nem tem que perceber na totalidade.
Mas fazes bem em já tentar explicar-lhe. E acho isso fundamental.
Só acho é que nao tem a ver com o facto de ser ou nao sociavel.
Um caso muito parecido ao da tua filha, é precisamente o da minha filha.
Até ao ano escolar passado e primeiro trimestre deste ano, a professora dizia-me que a minha filha nao brincava quase com as meninas da turma. Estava 5-10 minutos com elas e fartava-se. E ia brincar com os meninos. Depois em casa queixava-se que as amigas nao brincavam com ela.... (apesar de eu saber perfeitamente que estava a exagerar).
Até que depois de falarmos com ela e passar algum tempo, na semana passada a professora já disse que ela brinca muito com as meninas, que está muito mais proxima de elas.
Simplesmente nao lhe agradavam as brincadeiras de meninas, naquele periodo, com as meninas, na escola. Mas fez o esforço e está a ter os seus lucros.
O meu filho também tem alguns casos identicos. Ele gosta de certos temas que os amigos nao querem saber. Gosta de brincar a certas coisas que os amigos nao querem, e depois dizia que nao brincavam com ele (atençao que ele tem muitos amigos e é super sociavel, mas o facto de num dia, um menino se recusar a brincar a uma coisa, já é razao para dizer que "nao querem brincar comigo)" .
O que lhe dissemos é que ele tambem tem que ser flexivel e brincar de vez em quando aquilo que os amigos querem. Nao pode ser sempre como ele quer.
Compreendo que queiras que a tua filha seja independente e de opiniao propria (totalmente de acordo), mas acho eu, que nao está mal que perceba que há que ser flexivel e por vezes temos que fazer algumas coisas que nao gostamos inicialmente. Porque quem sabe que depois até nao descobre algo que gosta e desconhecia?
Também quero fazer referência ao papel da escola, sobretudo da professora encarregada. Que diz ela sobre o tema?
A escola tambem deve ter um papel activo na integracao de todos os meninos. Pelo menos que nao haja meninos a brincar sozinhos. Mas claro, sabemos que nao funciona assim em todas as escolas.







