Falecimento do tio | De Mãe para Mãe

Falecimento do tio

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24 mensagens
MiriamC -
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Desde 02 Jan 2019

Boa noite e bom ano a todas!
É a primeira vez que aqui comento, apesar de já vos ler desde o início dos treinos para o meu terceiro bebé e são sempre uma grande ajuda.
O meu ano começou da pior forma com o falecimento do meu querido irmão vitima de enfarte do miocárdio.
Estou arrasada com a notícia como devem imaginar e tem sido difícil lidar com tudo, ainda para mais grávida. Agora surge também a preocupação de como contar aos meninos. Eles eram muito apegados ao tio principalmente o meu mais velho e apesar de ainda não lhes termos contado nada, sei que já perceberam que desde ontem alguma coisa de grave se passa. Está mesmo na altura de lhes contar, mas como? Como explicar a duas crianças tão pequenas [5 e 8 anos] uma coisa destas? Como tornar a notícia mais suportável? Dizer que foi para o céu, que fez uma viagem? Não posso dizer que faleceu por ser velhinho nem por estar doente ou ter tido um acidente. Acham que devo ser eu a contar mesmo sabendo que vou desatar num pranto ou o meu marido que com certeza consegue aguentar-se bastante melhor? Outra coisa, devo levar os meninos ao funeral ou poupá-los a isso? Desculpem-me mas por agora não consigo sigo pensar com clareza para tomar mesmo as decisões mais básicas. E depois ainda a preocupação dos efeitos que isto terá na saúde do meu bebé. Está a ser tão difícil!

Vanessa Antunes -
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Desde 12 Jun 2012

Sinto muito, muito mesmo... Eu perdi a minha mãe tinha o meu filho 8 meses por isso a nivel de experiência não posso partilhar muito. Acho que deve contar aos seus filhos da forma mais real e verdadeira. Não se deve contar que foram para o céu... Por mais duro que seja, eles devem saber a verdade e o que esperar, ou seja, o infelizmente o tio não volta Triste Acho que ainda são pequeninos para irem ao funeral. Muita força! Um beijinho

guialmi -
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Desde 13 Jul 2013

Lamento muito a sua perda. Concordo que lhes deve contar de forma simples e sem metáforas, respondendo às perguntas que lhe façam com simplicidade. Explique que está triste (e a chorar) porque gostava muito do tio e que é normal que eles se sintam também tristes.
Quanto ao funeral, eu não os levaria.
Muita força. Um

lilifaria -
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Desde 28 Jan 2018

Olá Miriam! Os meu sentimentos! Lamento imenso aquilo que estás a passar. Uma notícia destas é sempre muito difícil de lidar e grávida ainda pior. Olha eu perdi a minha mãe quando as minhas pirralho ainda tinham 2 aninhos por isso não é bem a mesma coisa mas na altura dissemos que a avó era uma estrelinha no céu. Como os teus meninos já são mais crescidos é importante que explique bem a ideia do tio não voltar mas tens que ver se queres uma explicação mais fria ou mais religiosa por exemplo. Acho que deves tentar pelo menos estar presente nessa conversa mesmo que seja o pai a dar a notícia e depois muito mimo e muito colinho e eles vão acabar por ficar bem e ultrapassar esta fase. Não os leves ao funeral que ainda são muito pequeninos e podem ficar mais assustados. Cuida de ti e tenta ficar o mais calma possível para o bebé não sentir tanto. Apoiar se no teu marido que vai ser muito importante para te ajudar nesta fase.
Um grande beijinho para ti para os teus meninos e se precisares de falar podes mandar mensagem privada.

Mia. -
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Desde 12 Set 2013

Lamento a tua perda. Triste
Acho que deves explicar da forma mais simples possível. É provável que a menina (ou até mesmo os 2...) não entendam exactamente o que se está a passar, nomeadamente a irreversibilidade da morte. Se eles perguntarem porquê, explica que era uma doença, porque é difícil explicar o que é um enfarte.
Eles vão-se sentir tristes, confusos, e é normal. Vocês também se vão sentir assim, e não têm de o esconder. Façam um desenho juntos, por exemplo, ou uma pintura. Ajuda a exteriorizar.
Quanto ao funeral, depende dos miúdos. Há crianças que querem mesmo ir, e eu acho que se deve explicar bem onde vão, o que vão encontrar, e que se mesmo assim quiserem ir, devem ter por perto alguém que os possa levar dali quando for oportuno ou quando eles se sentirem desconfortáveis (alguém que, claro, não se importe de faltar ao funeral).
Força!!!

Mia. -
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Desde 12 Set 2013

Ah, e nunca falar de viagens ou que Deus quis assim. Na 1.ª opção, pode haver medo de viajar por recear não voltar; na 2.ª opção, para quem é católico, Deus é o expoente do bem, e alguém que nos quer bem não nos afasta das pessoas que gostamos. Piscar o olho

joanamariaalverca -
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Desde 29 Dez 2017

Um beijinho enorme e muita força! Ai como eu entendo o quão difícil é perder quem nos é tão próximo. Não há formas fáceis de contarmos estas coisas aos nossos filhotes mas temos que tentar a explicar o melhor que conseguimos e responder às perguntas deles. As reacções vão ser imprevisíveis e se calhar vão reagir de formas muito diferentes. Ambos os meninos estão em idades complicadas porque ainda estão a assimilar o conceito de morte. Crie um ritual com eles para lembrar o tio de forma agradável. Nos continuamos a desejar boa noite a uma estrelinha que é o avô que já partiu há quase 2 anos. Não tem mal nenhum que a vejam triste e até é importante que se sintam à vontade para é pressão a sua tristeza à sua beira. É muito pior quando se fecham e não sabemos como ajudar. O meu pequenino não percebeu bem a morte da avó, a do meio que tinha mais ou menos a idade da sua menina tanto não ligava nenhuma, como tinha momentos que chorava muito e que precisava muito do nosso mimo, a mais velha que era pouco mais nova que o seu menino sofreu muito mas calada e era muito mais difícil ajudar ou saber quando precisava de nós. É uma idade complicada. Mas eles ficam bem. Tal como nos aprendem à sua maneira a lidar com a dor. Eu não levaria a pequenina ao funeral mas ao mais velho pode dar-lhe a escolher depois de explicar bem o que lá se vai passar. Acho que deve informar a obstetra do que se passa mas acredite que mesmo ainda na barriga são mais fortes do que parecem e o seu bebé vai nascer lindo e saudável apesar de tudo. Tente arranjar momentos para estar sozinha e descansar mas permita-se sofrer à vontade. Conter os sentimentos só lhe vai causar mais ansiedade que não é o que se quer nesta fase.
Os meus sentimentos.

Desde 13 Set 2012

Bom dia!

Lamento muito a sua perda. A morte é sempre um drama difícil de vivenciar e piora muito quando nos atropela de surpresa. Infelizmente sei por experiência própria.

quando os meus sobrinhos tinham, respetivamente 5, 3 e 1 ano de idade, a minha irmã acordou no meio da noite com o marido morto ao lado dela na cama. Não tem um jeito fácil ou simples ou leve de vivenciar uma experiência assim. O meu cunhado tinha 32 anos na altura. já se passara 27 anos e eu não consigo esquecer totalmente o horror daquela madrugada. A menina não sofreu nada, o mais velho teve muita dificuldade em perceber e o do meio sentiu-se traído por todos. Dizia ele, no alto dos seus 3 anos, que não percebia porque é que os médicos não salvaram o pai. Foi-lhes dita toda a verdade pois o pai morreu em casa e não dava para mascarar a verdade.

Mais recentemente, em 2012, a minha cunhada também faleceu repentinamente na triagem do hospital de Santa Maria em Lisboa. Sentiu-se mal e extremamente cansada e o marido dela (irmão do meu marido) levou-a à urgência. ela faleceu na triagem devido a embolia pulmonar. O filho deles tinha 4 anos na altura e andava tudo desesperado e ninguém conseguia contar à criança. Sempre que perguntava pela mãe, o pai ou os avós respondiam que estava no hospital, ou que estava no trabalho ou que já vinha. Aquilo doía-me horrores pois detestaria que fizessem isso com um dos meus filhos. Um dia enchi-me de coragem, peguei o menino e levei-o para o meu quarto para uma conversa. Perguntei-lhe se ele sabia o que era morrer. ele projetou nos desenhos animados. eu disse-lhe simplesmente: olha Tiago, a mãe não vai voltar. ela morreu como morrem nos desenhos animados só que aqui ela não vai voltar à vida. Tens que viver sem ela, mas terás sempre pessoas que te amam muito como ela amava. Ele voltou a questionar se a mãe não voltava mesmo. Eu disse que não. Que ele não deveria esperar a mãe mas sim pensar nela. Quando estiveres com muitas saudades, podes olhar as fotografias; nesse momento eu dei-lhe uma foto da mãe com ele ao colo.

Eu não sou terapêuta nem psicóloga nem nada disso, mas acho que a verdade deve sempre tornear as nossas ações. Fiz o que o instinto me disse para fazer e baseada em alguns documentos que já li. Na escola a terapêuta perguntou ao pai do menino quem lhe tinha contado a verdade e deu os parabéns porque ele tinha entendido perfeitamente a informação. Soube mais tarde que ele guardava a foto que lhe dei na mochilinha da escola.

Resumindo, há montes de formas agradáveis de dar boas notícias mas nenhuma forma fácil de dar uma má notícia. Conte-lhes a verdade e deixe que eles a interiorizem como conseguirem. Creio que nenhuma criança é capaz de entender totalmente o carácter irreversível da morte antes dos 12 anos de idade, por isso, dê-lhes tempo. Ao funeral eu não os levaria. Não há necessidade de submeter crianças tão pequenas a dramas tão grandes e tão reais. aqui é mesmo a minha opinião porque, mesmo como adulta, um funeral acaba comigo.

Quanto a si, cuide-se o melhor que conseguir. Apesar de estar grávida, não é possível evitar as emoções. Exponha-se só àquilo que lhe parece ser capaz de suportar.

beijinhos e tudo de bom

SMSantos

sylviemarinha -
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Desde 16 Nov 2009

A minha mãe faleceu em 2017, a minha filha mais velha tinha 8 anos e o mais novo 6 anos. Eles eram MUITO ligados à avó. Uma vez a minha pediatra tinha-me dito que quando acontecessem coisas graves para dizer sempre a verdade às crianças e apenas responder às perguntas deles. Quando a minha mãe adoeceu, eu disse-lhes que ela tinha cancro. Eles perguntaram o que era eu disse que era uma doença, não perguntaram mais nada e eu não expliquei mais nada. Quando ela morreu, de forma repentina, apenas lhes disse que ela tinha morrido. Eles perguntaram me " e agora?" e eu respondi que ela ia ser enterrada (penso que o mais novo na altura não percebeu o significado dessa palavra) e que nós como católicos acreditávamos que a alma dela ia ter com Jesus. Não perguntaram mais nada. Durante os meses seguintes, e ainda hoje, falo muita vez da minha mãe e agora eles próprios se sentem à vontade para se lembrarem dela. O meu mais novo, que é muito mais emotivo, ainda sente alguma dificuldade. Eu tentei passar-lhes a ideia de que estava triste, que é difícil mas que faz parte da vida. Infelizmente, nesse mesmo ano, uns meses mais cedo, tinha falecido um primo deles com 12 dias de vida, por isso a ideia de se morrer só quando se é velho já não pegava.
Resumindo, sinceridade, honestidade e verdade para as crianças!

AneteS -
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Desde 13 Abr 2016

Olá! Em primeiro lugar sinto muito pela tua perda.
A forma como encaramos e lidamos com a morte é muito pessoal e para mim varia de família para família, por isso diria que a forma como a notícia é dada e o seu enquadramento está muito relacionado com isso, se são católicos, não são, se querem dar uma visão metafórica, ou não.
Na minha família das notícias de morte de familiares foi sempre encarada de forma metafórica e positiva. Aos meus sobrinhos quando perderam os bisavós e tios avós foi lhes dito que iam para o céu, que iam estar todos juntos (a avó agora foi ter com o avô), que um dia todos partimos, que estarão sempre a olhar por nós, cheios de orgulhos, etc... os miúdos (pela idade dos teus) perguntavam se agora que tinham morrido se voltavam a ser novos, se no céu tinha isto e aquilo e lá íamos respondendo... foi sempre uma opção nossa de família transmitir as notícias assim a crianças com menos de 10 anos, com mais de 10 anos a notícia já é dada de forma mais adulta e realista.
Quanto a quem conta acho que se achas que vais chorar muito podes pedir ao teu marido para contar sim, não tem mal nenhum que te vejam chorar, explicas que estás muito triste mas no momento do choque da notícia se puder ser alguém que aguenta um pouco mais as emoções acho que minimiza o impacto.
Quanto ao funeral não considero adequado antes dos 12 anos irem, é um momento triste, pesado e que lhes irá causar confusão e até alguns traumas (por exemplo ver um caixão a ser enterrado), para além de que acho que não podemos "exigir" a uma criança pequena a postura solene e silêncio que um funeral exige.
Força para ti!

Sobre AneteS

Anete

mylittleprincess -
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Desde 03 Abr 2018

Sinto muito a sua perda!
Perdemos o meu sogro o ano passado e tem sido um processo muito difícil para o meu marido.
Eu estava grávida nessa altura e sei que é muito difícil tentar proteger os nossos bebés de todo o clima de sofrimento.
Para ti deve ser um sofrimento inimaginável.
Mas eles são fortes!
Quanto aos mãos crescidos tens que ver qual a forma que faz mais sentido para vocês contar.
Vê com o teu marido o que acham melhor.
Não tem mal nenhum que não sejas tu a contar se não conseguires.
Muita força! Tens tempos difíceis à tua frente mas vais ver que tudo melhora.
Qualquer coisa tens-nos aqui para desabafar
Beijinho

Ana Svensson -
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Desde 23 Abr 2017

Olá Miriam. Lamento imenso a sua perda. Nunca é fácil lidar com a morte de alguém tão próximo, especialmente se foi completamente inesperada. Infelizmente, percebo muito bem isso. Também estive no sei lugar quando perdi a minha mãe há quase 11 meses.
Não sei se entretanto já falou com os seus filhos (possivelmente já), mas concordo que lhes devem explicar o que aconteceu de forma simples, mas realista (dizer que o tio foi fazer uma viagem não me parece de todo a melhor ideia) e responder da melhor maneira possível a todas as perguntas que fizerem. Não há formas fáceis de lhes dar a notícia e tem de estar preparada para qualquer tipo de reacção da parte deles.
Não acho que seja fundamental ser a Miriam a ter esta primeira conversa, embora dificilmente vá conseguir evitar que a vejam triste ou a chorar. Vai acabar por ter de falar com eles sobre o que aconteceu e explicar-lhes que está triste e com saudades do seu irmão e que é normal eles também estarem. É importante que o faça.
Quanto ao funeral, acho desnecessário levar as crianças para um ambiente que mesmo para nós adultos é horrível. Mesmo que lhes explique exactamente o que vão encontrar lá, não me parece que com 5 e 8 anos tenham capacidade para tomar a decisão de ir ou não ir ao funeral. Eu não levei as minhas filhas.
Não se esqueça de tratar de si. Os seus filhos vão ficar bem.
Força! Um grande beijinho.

MartaSofia83 -
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Desde 11 Set 2017

Os meus pêsames. Tente não se enervar muito por causa do bebé. Se calhar não devia ir ao funeral porque pode ser uma emoção muito forte. Conte a verdade aos seus meninos mas tente controlar-se para não se sentirem tão assustados. Se o seu irmão já faleceu á 2 dias os meninos já deviam saber a verdade! Não adie mais antes que descobram por eles e seja pior.

MiriamC -
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Desde 02 Jan 2019

Boa noite a todas e obrigada pelas palavras tão queridas. Hoje foi o funeral e acabei por não levar os meninos. O meu marido também não achou adequado. A ideia era contar-lhes hoje à noite mas faltou-e a coragem depois de ver os meus sobrinhos tão transtornados no funeral. De amanhã não pode passar porque eles já estão fartinhos de perceber que se passa alguma coisa e o meu marido já se anda a passar comigo por eu não querer contar. Percebo o lado dele mas esperava mais compreensão comigo. Já combinei com ele que amanhã vamos buscar os meninos mais cedo à escola e passam a tarde connosco para termos essa conversa. Se eu não conseguir vai ele sozinho mas de amanhã não passa. Será melhor trazer o meninos para casa para contar ou levá-los a um sitio que gostem tipo comer uma pizza ou brincar no parque para o ambiente não ser tão pesado? Estamos a pensar florear um bocadinho mas só do género de dizer que o tio foi para o céu ter com jesus e que está sempre a olhar por eles. A verdade nua e crua acho muito pesada para eles.
Quanto à gravidez, tenho estado cheia de vómitos desdo funeral, que já não tinha há umas semanas, e o bebé muito muito irrequieto todo o dia. Espero que não seja sinal de alarme. Vamos ver como passo o dia amanhã senão passo nas urgências. É aqui estou eu sem conseguir dormir ou sequer parar de chorar mais uma noite enquanto o meu marido ronca aqui ao lado faz já uma meia hora e ainda me sugeriu que tomasse qualquer coisa para me acalmar. Acham normal? Se não estivesse grávida claro que já teria ido um comprimido para dormir e não ter se pensar mas em primeiro lugar o meu bebé.

guialmi -
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Desde 13 Jul 2013

Percebo perfeitamente o seu sofrimento, mas não deixe que isso tolde o seu julgamento. Não pode, de maneira nenhuma, adiar mais a conversa com os seus filhos. Se fosse eu, contaria em casa, porque é muito natural que haja tristeza e choro. Não os tente poupar à dor, porque é muito melhor que a sintam na altura certa, com as pessoas certas por perto.
Se são católicos, percebo que lhes diga que foi ter com a Jesus, mas atenção :expliquem claramente que o tio morreu, não vai voltar mais, porque teve uma doença muito grave. Respondam às perguntas com a verdade.
Quanto à gravidez, é perfeitamente normal que sinta o bebé mais inquieto,mas não é isso que o vai prejudicar,assim como não é dramático que passe algumas noites a dormir mal. Use as mezinhas caseiras:leite quente ou chá de camomila ou tília e se não conseguir adormecer mais vale sair daa cama e ver um filme ou série para se distrair.
Finalmente, não se sinta afrontada por o seu marido não a acompanhar no seu sofrimento. Apoie se nele para estar mais presente com os filhos e poder ter algum espaço para estar sozinha e descansar.

guialmi -
Offline
Desde 13 Jul 2013

Percebo perfeitamente o seu sofrimento, mas não deixe que isso tolde o seu julgamento. Não pode, de maneira nenhuma, adiar mais a conversa com os seus filhos. Se fosse eu, contaria em casa, porque é muito natural que haja tristeza e choro. Não os tente poupar à dor, porque é muito melhor que a sintam na altura certa, com as pessoas certas por perto.
Se são católicos, percebo que lhes diga que foi ter com a Jesus, mas atenção :expliquem claramente que o tio morreu, não vai voltar mais, porque teve uma doença muito grave. Respondam às perguntas com a verdade.
Quanto à gravidez, é perfeitamente normal que sinta o bebé mais inquieto,mas não é isso que o vai prejudicar,assim como não é dramático que passe algumas noites a dormir mal. Use as mezinhas caseiras:leite quente ou chá de camomila ou tília e se não conseguir adormecer mais vale sair daa cama e ver um filme ou série para se distrair. Eu não iria às urgências nesta época de gripes e viroses a não ser que houvesse um sinal de alarme. Não pode telefonar ao médico só para a sossegar?
Finalmente, não se sinta afrontada por o seu marido não a acompanhar no seu sofrimento. Apoie se nele para estar mais presente com os filhos e poder ter algum espaço para estar sozinha e descansar.

MiriamC -
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Desde 02 Jan 2019

Obrigada mais uma vez Guialmi!
Já falamos com os meninos. Não podíamos mesmo adiar mais a conversa. Falamos os dois com eles apesar de ter sido o pai quem conduziu mais a conversa, mas achei que devia estar lá para lhes dar apoio. A Teresinha fartou-se de fazer perguntas umas com mais sentido que outras e só depois caiu no choro quando lhe confirmamos mais uma vez que não ia poder mais ver nem brincar com o tio. Tem sido uma tarde de miminhos a esta princesa que só agora descolou uns minutinhos de mim. O Rodrigo é que para grande surpresa nossa nem reagiu. Pensamos que era quem ia sofrer mais porque era mesmo muito apegado ao tio, ainda mais do que a mana, mas nada. Não quis fazer perguntas, não chorou e tudo o que nos disse ao receber a notícia foi um simples "ok" acompanhado de um encolher de ombros e tem estado no quarto a jogar consola já que hoje estamos a fechar os olhos ao tempo limite diário que tem para isso. Por um lado melhor assim, por outro não esperava esta indiferença perante a perda de uma das pessoas de quem ele mais gostava. O bebé continua a mexer-se muito mais que o habitual mas acalmou agora um pouco quando fui dar um passeio com a Teresinha, deve ter sido de se sentir embalado. A ver se se aguenta assim calminho mais um pouco que já começa ser desconfortável tanto pontapé. Pelo menos os vómitos acalmaram. Não consigo telefonar ao meu médico porque está de férias fora do país e não quero incomodar nas férias. Na segunda quando voltar, ligo-lhe falo com ele para ver o que me aconselha a fazer para proteger o bebé. Por enquanto não vou à urgência.
Não quero entrar em discussão com o meu marido agora mas noto alguma falta de sensibilidade e compreensão que não esperava dele. Está a ajudar muito mais que costuma nas tarefas da casa e dos meninos e diz-me para descansar mas depois tem outras atitudes completamente insensíveis como não ser capaz de me fazer companhia à noite e ainda me mandar dormir quando sabe muito bem que se eu não durmo é porque não consigo ou ter-me levantado a voz por eu não ter conseguido contar mais cedo aos meninos. Depois vem sempre com aquela mania que me irrita profundamente de me mandar ter calma por causa do bebé se eu me enervo mais um bocado, como se a minha prioridade não fosse proteger este bebé.
Desculpem lá o desabafo, mas é mais fácil contar estas coisas a quem não me conhece de perto. Estão a ser uma grande ajuda. Já me conseguiram chamar à razão sem nunca serem desrespeituosas. Muito obrigada por isso e por todo o apoio. Afinal já percebo porque é que as pessoas se inscrevem nestes fóruns. Faz-os bem não nos sentirmos tão sozinhas.

lilifaria -
Offline
Desde 28 Jan 2018

MiriamC escreveu:
Obrigada mais uma vez Guialmi!
Já falamos com os meninos. Não podíamos mesmo adiar mais a conversa. Falamos os dois com eles apesar de ter sido o pai quem conduziu mais a conversa, mas achei que devia estar lá para lhes dar apoio. A Teresinha fartou-se de fazer perguntas umas com mais sentido que outras e só depois caiu no choro quando lhe confirmamos mais uma vez que não ia poder mais ver nem brincar com o tio. Tem sido uma tarde de miminhos a esta princesa que só agora descolou uns minutinhos de mim. O Rodrigo é que para grande surpresa nossa nem reagiu. Pensamos que era quem ia sofrer mais porque era mesmo muito apegado ao tio, ainda mais do que a mana, mas nada. Não quis fazer perguntas, não chorou e tudo o que nos disse ao receber a notícia foi um simples "ok" acompanhado de um encolher de ombros e tem estado no quarto a jogar consola já que hoje estamos a fechar os olhos ao tempo limite diário que tem para isso. Por um lado melhor assim, por outro não esperava esta indiferença perante a perda de uma das pessoas de quem ele mais gostava. O bebé continua a mexer-se muito mais que o habitual mas acalmou agora um pouco quando fui dar um passeio com a Teresinha, deve ter sido de se sentir embalado. A ver se se aguenta assim calminho mais um pouco que já começa ser desconfortável tanto pontapé. Pelo menos os vómitos acalmaram. Não consigo telefonar ao meu médico porque está de férias fora do país e não quero incomodar nas férias. Na segunda quando voltar, ligo-lhe falo com ele para ver o que me aconselha a fazer para proteger o bebé. Por enquanto não vou à urgência.
Não quero entrar em discussão com o meu marido agora mas noto alguma falta de sensibilidade e compreensão que não esperava dele. Está a ajudar muito mais que costuma nas tarefas da casa e dos meninos e diz-me para descansar mas depois tem outras atitudes completamente insensíveis como não ser capaz de me fazer companhia à noite e ainda me mandar dormir quando sabe muito bem que se eu não durmo é porque não consigo ou ter-me levantado a voz por eu não ter conseguido contar mais cedo aos meninos. Depois vem sempre com aquela mania que me irrita profundamente de me mandar ter calma por causa do bebé se eu me enervo mais um bocado, como se a minha prioridade não fosse proteger este bebé.
Desculpem lá o desabafo, mas é mais fácil contar estas coisas a quem não me conhece de perto. Estão a ser uma grande ajuda. Já me conseguiram chamar à razão sem nunca serem desrespeituosas. Muito obrigada por isso e por todo o apoio. Afinal já percebo porque é que as pessoas se inscrevem nestes fóruns. Faz-os bem não nos sentirmos tão sozinhas.

Ainda bem que já contaste! Como é que estão hoje os meninos? Deixa os reagir cada um à sua maneira e por não ter chorado não quer dizer que o teu menino não esteja a sofrer. Não te vires contra o teu marido porque vai ser um grande apoio nesta fase. Um beijinho e qualquer coisa que precises já sabes

Mia. -
Offline
Desde 12 Set 2013

Mais uma vez, força e coragem!
Quanto ao marido, tentem não se julgar mutuamente. Não é fácil, eu sei. Cada um reage à morte de maneira diferente. Até mesmo o teu menino que hoje te pareceu mais frio e distante, se calhar vai ter outra altura em que vai cair a ficha, em que podem existir alterações de comportamento. Estejam atentos a isso.

MiriamC -
Offline
Desde 02 Jan 2019

Continua tudo na mesma. A Teresinha triste e o Rodrigo totalmente indiferente à notícia. O meu marido a tirar-me do sério. Juro que tento não me chatear mas se às vezes é super querido e a querer ajudar outras sinto-me totalmente incompreendida. Amanhã vou falar com o meu médico para ficar mais descansada relativamente ao bebé.
Estou agora com a questão se devo levar amanhã a Teresinha à escola ou deixá-la ficar comigo já que anda tristinha. O Rodrigo como parece estar bem e já está na primária vai, mas a pequenina não sei. Que acham?

lilifaria -
Offline
Desde 28 Jan 2018

Podes deixar ficar em casa uns dias se vires que para ela é melhor mas cuidado para o menino não ficar com ciúmes porque lá por não mostrar que está triste também deve estar a sofrer muito. Eu acho que ou ficam os dois ou vão os dois pelo menos era como eu faria.
Eu sei que custa e que é normal sentires te incompreendida mas não te zangues com o teu marido que vai ser o teu melhor apoio nos próximos tempos. Lembra te que para ele também não deve estar a ser fácil saber como lidar com a tua tristeza e dos meninos e que se calhar nem sabe bem o que fazer para ajudar. Muita força!

Mia. -
Offline
Desde 12 Set 2013

Escola!! Sem dúvida!
A rotina vai fazer-lhe bem. Sorriso

Ansha -
Offline
Desde 13 Abr 2016

Miriam, lamento muito a tua perda.
Muita atenção a essa reação do teu menino, pq acredita q ele está a sofrer, e o facto de não exteriorizar pode fazer-lhe ainda pior. Por isso, deixa passar uns dias e vai falando com ele, e se virem que há necessidade aconselhava falarem com o psicólogo da escola ( se houver)
Qt ao bébé q está na tua barriga, não te preocupes que ele está bem. Não é a tristeza da mãe que o vai afectar. A natureza é mt mais sábia que isso.
Força para ti!
Beijinhos

MiriamC -
Offline
Desde 02 Jan 2019

Obrigado a todas! Optamos por levar à escola. O Rodrigo continua com a mesma reação de indiferença. Estamos sem saber o que pensar. De resto, aparentemente tudo bem com a gravidez. Vai-se aguentando um dia de cada vez. Custa muito!

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