Depressão Pós-parto após anos à espera do meu bebé | De Mãe para Mãe

Depressão Pós-parto após anos à espera do meu bebé

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5 mensagens
EuM -
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Desde 25 Nov 2021

Olá, preciso de ajuda.
Estou com depressão pós-parto (tipo "major") com acompanhamento médico especializado. Alguém que seja dedicado à carreira e tenha sonhado ANOS* com o seu bebé passou pelo mesmo?

Ainda não consigo conjugar na minha mente que sou mãe, mulher de carreira e uma pessoa: não sou três coisas, sou tudo isto. Trabalhava demais e tive hobbies de trabalho/estudo. Fiquei grávida sem esperar, uma felicidade imensa, mas o regresso ao trabalho foi a gota de água pois em vez de 6h de trabalho (com a licença de aleitamento), o típico dia de trabalho escalava para 8 e 10h e numa ocasião só vi o meu bebé 30 min em cada um de dois dias seguidos.

Fui impedida de trabalhar durante a gravidez o que foi o mesmo que quase perder a minha identidade... O regresso ao trabalho era desejado desde que remoto, pois um nascimento em Junho de 2020 já sabem, foi uma gravidez durante a pandemia.

Alguém conhece um livro de alguém que passou pelo mesmo que recomende, ou alguém se deparou com esta situação. Não posso ser a única...

*Há anos que sigo o fórum

soniamst -
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Desde 22 Dez 2016

Pode não haver nenhum caso exactamente igual ao seu, há coisas que os livros não explicam.
Por aqui também trabalhava/trabalho demais, desejava engravidar e tive dificuldades em engravidar pelo que quando consegui foi uma felicidade imensa, o regresso ao trabalho custo por ter de deixar o meu bebé tão pequeno aos cuidados de alguém, mas não me via a deixar de trabalhar.
Uma MÃE sente que ficou sempre algo por fazer, mas tem de se organizar/cuidar para não entrar em sobrecarga.
A sua situação: engravidou sem esperar (apesar de querer muito ser mãe), penso que a sua felicidade superou este ponto.
Foi impedida de de trabalhar na gravidez. Por que motivo? Pressão para isso ou gravidez de risco?
Regressou ao trabalho com redução de horário devido ao horário de amamentação. O regresso foi presencial ou teletrabalho?
O seu filho ficou ao seu cuidado (estando em teletrabalho) ou ficou alguém a tomar conta dele?
Porque estendeu o trabalho a 8h ou 10h diárias? Foi obrigada a isso?
Tem de abrandar e cuidar também de si...

carlabrito -
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Desde 30 Maio 2017

Nao sei como resumir tudo, mas no meu caso tenho um trabalho internacional com responsabilidade, com planos para ter mais que um filho com max 3 anos de diferença, marido com trabalho igual, dona de casa, mulher do pai dos miudos, eu individualmente, filha, amiga ,etc. E estou sempre a apostar mais e mais na minha carreira.
Na verdade, eu acho que todas somos assim.
Somos uma só pessoa, mas com diversas actividades.
E o dia so tem 24 horas.
Nao é facil conciliar tudo, e acima de tudo é importante perceber que nao se pode fazer tudo. Muito menos tudo o que se fazia antes de ter filhos.
É impossivel, a menos que tenha quem a ajude (empregada, avós, etc).
Antes do meu filho nascer, eu praticava exercicio fisico 3-4 vezes por semana.
Desde que ele nasceu, nunca mais fiz absolutamente nada. Zero!
Antes dos filhos, eu era "fotógrafa". Era um hobbie.
Viajava pela regiao ou pelo país, e dedicava-me à fotografia.
Desde entao, nunca mais fiz isso.
Se me custa? Custam-me mentalmente e psicologicamente.
Desde que eles nasceram, saímos muito pouco com os nossos amigos. Ou entao saímos com pais de colegas para que eles brinquem juntos.
Durante a semana nao dá, e aos fins de semana tambem precisamos de descansar = dormir! Durante um mês, se calhar temos planos 1-2 fins de semana (maximo).
O ritmo é muito acelerado.
Mas depois penso.... estou a aproveitar ao maximo eles nesta fase.
Quanto à situacao de que apenas viu o seu filho meia hora em dois dias...
Pois... isso é muito mau. Infelizmente nem sempre conseguimos os horários de acordo com a nossa familia.
Nao consegue ter um horario mais flexivel?
Eu por exemplo, saio sempre à minha hora, mas se tenho trabalho para fazer, faço à noite depois dos miudos estarem a dormir, e de terminar as tarefas mininas em casa para o outro dia.
(durmo muito pouco e ando sempre esgotada).
Mas sei que nem todos os empregos permitem isso.
E também depende dos chefes. Há uns mais compreenssiveis do que outros.
O importante para mim, é perceber que nao devemos elevar demasiado as expectativas, e que em qualquer situaçao temos coisas boas que podemos desfrutar.
Vamos fazendo pouco a pouco, até encontramos um equilibrio que nos permita voltar a ter um pouco de tudo: filhos, trabalho, saídas, hobbies, mais tranquilidade com o marido, etc.
Tudo nao dá.

carlabrito -
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Desde 30 Maio 2017

Quanto ao livro... nao acho que os livros ajudem assim tanto.
O meu maior conselho é: arranjar o seu ponto de equilibrio.
Eu diria que a sua (e a nossa) prioridade é o seu filho. E à volta disso tem que encaixar tudo o resto.
Volto a dizer que muitas vezes os empregos sao o mais dificil de encaixar, mas é por aí que tem que ir.... lentamente.
Tudo o resto é bonus.

guialmi -
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Desde 13 Jul 2013

Penso que um livro não a vai ajudar, mas o apoio médico sim, e tem dar tempo e oportunidade para haver um reequilíbrio. Sendo uma depressão pós-parto, existe uma componente química que tem de ser compensada com medicação, e certamente já o está a fazer. Mas a psicoterapia também é crucial e encontrar um bom psicólogo/a faz toda a diferença. É através desse processo de auto-análise (orientada) que vai redefinir a sua identidade e, desse modo, tudo o que lhe parece insuportável neste momento vai-se encaixando na pessoa que agora é.
Eu quis muito ser mãe, lutei durante 4 anos para o ser mas quando as minhas filhas nasceram (tive gémeas) não foi aquela felicidade completa e instantânea de que é suposto ser. Continuei a precisar do meu espaço, de me afastar nem que fosse uns minutos para ir dar uma volta, e voltei ao trabalho (em casa) logo que pude - formalmente, fora de casa, 5 meses depois. Lembro-me de me sentir exausta para além do fisicamente imaginável, mas fui encaixando tudo o que sentia que continuava a ser importante para a minha identidade. sem culpas e sem sentir que estava a trair as minhas filhas por querer acabar o doutoramento ou deixá-las com o pai para ir a um congresso ou fazer uma escapadinha de casal. Mas não, não se consegue fazer tudo e não é nos primeiros anos, é para sempre.

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