Caso Archie Battersbee | De Mãe para Mãe

Caso Archie Battersbee

Responda
15 mensagens
Sara_R -
Offline
Desde 02 Dez 2014

Boa tarde a todas!
tenho recentemente acompanhado nas notícias nacionais o caso do menino de 12 anos Archie Battersbee.
Pelo que percebi o miúdo está em morte cerebral desde abril deste ano porque fez um desafio chamado "Blackout Challenge" no TikTok. Esse desafio consiste em apertar o pescoço e suster a respiração até desmaiar por falta de oxigénio.
.
Neste contexto seria talvez interessante vários pontos de vista ou opiniões. Em relação ao miúdo estar em suporte artificial de vida há 4 meses e os pais não quererem desligar as máquinas. Compreendo perfeitamente o desespero e a dor dor pais em deixar partir o filho ainda mais por uma coisa tão estúpida que é esse desafio. Por outro lado penso, será que os pais não ficariam mais em paz se o filho partisse e descansasse? É difícil tomarmos a decisão de desligar as máquinas quando são os nossos próprios filhos, desejo que nunca ninguém tenha de passar por isto. Mas não me interpretem mal, será que os pais não estão a ser um pouco egoístas em não deixar o filho partir em paz? É que a morte cerebral é irreversível, a criança está de facto morta, e o que o mantém vivo são apenas as máquinas de suporte de vida.
.
Noutra perspetiva, esta tragédia leva-nos a pensar sobre os perigos da internet e das redes sociais nos jovens. O que leva uma criança a entrar nesses desafios de apertar o pescoço para suster a respiração e depois desmaiar? Como é que nós pais podemos sensibilizar os nossos filhos para estes perigos? O meu filho ainda só tem 7 anos, também vai ao tablet jogar e ver vídeos no youtube. Com a idade dele consigo controlar mais facilmente o que vê, mas com 12 anos já são mais crescidos.
.
Gostava de ouvir as vossas opiniões sobre este caso. Sendo que não é a primeira vez que há este tipo de desafios em que crianças morrem por estas brincadeiras estúpidas!!

Esperança lopes -
Offline
Desde 12 Jul 2019

Também tenho acompanhado isto .... E sinceramente não estou muito de acordo os pais quererem "manter" o filho ligado a maquinas por tempo indeterminado.... Pois pelo que percebi ,principalmente a mãe , eles ainda acreditam que por um "milagre" se consiga trazer a criança a vida ... Mesmo que fique cheia de sequelas ... Acho isto um acto de egoísmo.... Se houvesse hipótese da criança voltar a vida , ela iria querer o filho condenado a uma vida de sofrimento? Encurralado no próprio corpo ? Em modo vegetal ? Lamento muito o que lhe tenha acontecido, e nem consigo imaginar o sofrimento deles .... E acredito que a mãe se sinta muito revoltada pela forma como perdeu o filho ... Pelo que pesquisei, o ano passado morreram várias crianças menores por causa desde "desafio" ...

Sara_R -
Offline
Desde 02 Dez 2014

Pois, é que eu não condeno os pais, sabe se lá o que lhes vai na alma. Eu até consigo perceber a luta deles para manter o filho vivo, mas de acordo com os médicos o miúdos está mesmo em morte cerebral e não há mesmo hipótese. Por muito que custe e seja revoltante, eu acho que o melhor é mesmo deixar ir...

Esperança lopes escreveu:
Também tenho acompanhado isto .... E sinceramente não estou muito de acordo os pais quererem "manter" o filho ligado a maquinas por tempo indeterminado.... Pois pelo que percebi ,principalmente a mãe , eles ainda acreditam que por um "milagre" se consiga trazer a criança a vida ... Mesmo que fique cheia de sequelas ... Acho isto um acto de egoísmo.... Se houvesse hipótese da criança voltar a vida , ela iria querer o filho condenado a uma vida de sofrimento? Encurralado no próprio corpo ? Em modo vegetal ? Lamento muito o que lhe tenha acontecido, e nem consigo imaginar o sofrimento deles .... E acredito que a mãe se sinta muito revoltada pela forma como perdeu o filho ... Pelo que pesquisei, o ano passado morreram várias crianças menores por causa desde "desafio" ...

Marina4 -
Offline
Desde 15 Maio 2016

Eu tive caso de deficiência profunda e dependência total na família. Sem dúvida, o melhor que aconteceu foi a pessoa partir..o que estava cá a fazer não sei o podia chamar, mas não era vida

Bella8 -
Offline
Desde 23 Jun 2022

Quando a minha irmã teve morte cerebral a nós ninguém nos perguntou se queríamos desligar as máquinas... simplesmente disseram: venham cá despedir-se dela porque vamos desligar as máquinas. Mesmo que por um milagre a minha irmã voltasse à consciência, nunca mais iria ser ela. Sem dúvida que o melhor é deixar ir, ainda que custe... só estão a prolongar o sofrimento de todos.

Sansa -
Offline
Desde 18 Jan 2018

É um filho.
A recusa em desligar as máquinas pode não estar relacionada com a esperança de ele voltar a ganhar consciência, mas apenas de o preservar mais um pouco. Enquanto está ligado às máquinas está fisicamente presente, podem acariciar-lhe a face, podem segurar-lhe as mãozinhas, cheirar-lhe o cabelo, beijá-lo mais uma vez. Como é que se diz adeus a isso? Eu não sei. Não sei mesmo como é que se arranja força para tomar a decisão de deixar de poder tocar, e cheirar e beijar um filho.
Não é um cadáver frio e hirto, é um corpo de um filho que está adormecido.
Se é egoísmo? Pois é, e então? É suposto sentirmos de outra forma?

Sara_R -
Offline
Desde 02 Dez 2014

Consigo perceber as duas perspetivas e são as duas válidas.
Sem dúvida que é uma decisão ou passo que custa dar, o não estar mais ali fisicamente é doloroso. Só quem passa por isso é que sabe, mas infelizmente não há outro desfecho possível.

Sansa -
Offline
Desde 18 Jan 2018

Sara_R escreveu:
Consigo perceber as duas perspetivas e são as duas válidas.
Sem dúvida que é uma decisão ou passo que custa dar, o não estar mais ali fisicamente é doloroso. Só quem passa por isso é que sabe, mas infelizmente não há outro desfecho possível.

Pois não há outro desfecho, e provavelmente estão só à espera de ganhar coragem. Às tantas acordam todos os dias decididos que será esse o dia em que dirão adeus, mas depois a coragem falha-lhes, e pensam "mais um dia".

MisaL -
Offline
Desde 17 Abr 2019

Ele já partiu, já não está ali o menino, acho que os pais têm perfeita consciência disso. Irá partir para sempre mais dia menos dia, as máquinas não eternizam a pessoa, poderá ser cedo ainda para os pais aceitarem.
Eu não consigo pensar o que faria, mas acredito que todos os pais que perdem os filhos se o conseguissem manter assim algum tempo talvez o aceitassem. Não me faz confusão que não seja uma decisão que passe pelas mãos dos pais, estão demasiado fragilizados e os médicos/estado assumirem uma decisão, não me parece mal.
Quanto a participarem em desafios, faz parte do ser humano, os adolescentes então adoram, tinha um professor que dizia que a frase que vira o mundo é "não és homem não és nada". A questão é que atualmente tudo tem uma adrenalina e alcance desmesurado. Quando andava na escola primária, há mais de 30 anos, tínhamos uma brincadeira que era 2 pessoas fechavam-se dentro de um armário e os de fora cantavam uma música e só abriam a porta quando os fechados advinhassem qual era. Com a internet tudo o que são ideias parvas, perigos, loucuras estão lá. A única forma de evitar é ter uma estrutura, equilíbrio mental, social, familiar muito bem organizado e estar muito atento para tentarperceber atempadamente se podem colocar-se facilmente em perigo.
Acho que agora há um boneco com uns dentes grandes que aparece nos vídeos que propõe desafios aos miúdos (veio substituir a boneca). Há dias a psicóloga da escola da minha filha alertou os pais que muitos meninos já tinham encontrado esses desafios na internet.

Mama do Martim -
Offline
Desde 29 Mar 2010

Sansa escreveu:
É um filho.
A recusa em desligar as máquinas pode não estar relacionada com a esperança de ele voltar a ganhar consciência, mas apenas de o preservar mais um pouco. Enquanto está ligado às máquinas está fisicamente presente, podem acariciar-lhe a face, podem segurar-lhe as mãozinhas, cheirar-lhe o cabelo, beijá-lo mais uma vez. Como é que se diz adeus a isso? Eu não sei. Não sei mesmo como é que se arranja força para tomar a decisão de deixar de poder tocar, e cheirar e beijar um filho.
Não é um cadáver frio e hirto, é um corpo de um filho que está adormecido.
Se é egoísmo? Pois é, e então? É suposto sentirmos de outra forma?

É isto!
Se é egoísmo? É,mas o amor por um filho é egoísta e quem disser o contrário está a mentir.
Para nós que estamos de fora é fácil dizer ah ia ser um vegetal e tal,mas para aqueles pais é o filho,não importa de que maneira mas é o filho. Ninguém pode dizer que fazia assim ou assado sem nunca ter passado por isso na pele

* Martim * 11-11-2008* 3190g e 49,5cm *
* Valentim * 01-12-2013 * 2160g e 43cm *
* Francisca * 15-07-2016 * 2760g e 46,5cm *
* Benjamim * 14-08-2021 * 3112g e 47,5cm *

fmmartins -
Offline
Desde 14 Dez 2016

Deve ser uma dor inigualável e estes pais estão em negação, precisam aceitar e fazer o seu luto. Levará o seu tempo. Parece-me também que eles querem despedir-se do filho com dignidade. É uma situação duríssima, nem consigo qualificar como egoísmo.

Telma Isabel -
Offline
Desde 04 Maio 2010
I Love DMPM

O meu filho tem a idade deste menino. Ontem fiz questao que ele visse a notícia comigo, para perceber a real dimensão das possíveis consequências destes desafios parvos. Por muito que converse com ele sobre os perigos da Internet, nunca o vou conseguir proteger a 100% e é claro que isso me assusta.
As parvoíces de adolescência de hoje em dia são, em muitos casos, verdadeiros perigos.
Não imagino a dor destes pais, mas acredito que só queiram mais tempo para se despedir do filho. Se é egoísta? Provavelmente. Mas é o filho, quem consegue ser racional?
É pena que quem lança estes desafios na net não seja apanhado e castigado.

7-3-2010 e 12-7-2019...os dias mais felizes da minha vida!
Os meus tesouros nasceram!

MisaL -
Offline
Desde 17 Abr 2019

Essas idiotices existem desde sempre, são super antigas. Ainda hoje ouvi uma senhora dizer que os colegas dela na escola também fazia este desafio. Deste de desmaiar não me lembro, mas lembro-me de tantos outros tão ou mais parvos, até comboios metiam. A diferença é que antigamente eram restritas ao pequeno grupo de amigos, às ideias que estes traziam, eram realizados mais em sociedade, faziam-se no grupo, agora estas imbecilidades estão ao dispor dos miúdos na internet, a facilidade de acesso e conhecimento que temos é imensa e quase em direto. Os desafios têm agora outra proporção.
Antes os perigos eram os contactos diretos, o grupo de amigos com quem se relacionavam, agora é o mundo, na internet está qualquer um, o perigo é ao segundo. Mas os adolescentes de agora não são mais estúpidos do que aquilo que nós éramos 🤪

Telma Isabel escreveu:
O meu filho tem a idade deste menino. Ontem fiz questao que ele visse a notícia comigo, para perceber a real dimensão das possíveis consequências destes desafios parvos. Por muito que converse com ele sobre os perigos da Internet, nunca o vou conseguir proteger a 100% e é claro que isso me assusta.
As parvoíces de adolescência de hoje em dia são, em muitos casos, verdadeiros perigos.
Não imagino a dor destes pais, mas acredito que só queiram mais tempo para se despedir do filho. Se é egoísta? Provavelmente. Mas é o filho, quem consegue ser racional?
É pena que quem lança estes desafios na net não seja apanhado e castigado.

Andreissse -
Offline
Desde 13 Nov 2015

Sansa escreveu:
É um filho.
A recusa em desligar as máquinas pode não estar relacionada com a esperança de ele voltar a ganhar consciência, mas apenas de o preservar mais um pouco. Enquanto está ligado às máquinas está fisicamente presente, podem acariciar-lhe a face, podem segurar-lhe as mãozinhas, cheirar-lhe o cabelo, beijá-lo mais uma vez. Como é que se diz adeus a isso? Eu não sei. Não sei mesmo como é que se arranja força para tomar a decisão de deixar de poder tocar, e cheirar e beijar um filho.
Não é um cadáver frio e hirto, é um corpo de um filho que está adormecido.
Se é egoísmo? Pois é, e então? É suposto sentirmos de outra forma?

Adorei o teu comentário. Faço cada palavra tua, as minhas. É muiti dificil perder um filho nem sequer consigo conceber tal coisa. Estes jogos também me assustam e o problema é que ja n é a primeira criança a morrer assim.

Desde 26 Out 2019

Pelo que ouvi, as máquinas foram hoje desligadas.
Perder um filho, deve ser das maiores tristezas que a vida pode dar... Só quem passa por tamanha dor conseguirá realmente entender a 100% o sofrimento de perder-se um filho... O que secalhar, fez com que estes país mantivessem o filho ligado há máquina durante este tempo ,talvez tenha sido, uma forma de puderem vê-lo e tocar-lhe mais uns tempos (mesmo que tivessem a noção que pouco ou nada já haveria a fazer,para melhorar a situação do filho) e até pode ter sido uma forma de ganharem um pouco de força/coragem para enfrentar este momento tão duro de nunca mais o verem ... Infelizmente, nem sempre os adultos, conseguem controlar tudo o que os jovens fazem ou vêem.

Votação

Quanto tempo, em média, dura uma consulta com o seu filho no pediatra?