2 Filho e a culpa | De Mãe para Mãe

2 Filho e a culpa

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Desalinhada -
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Desde 13 Set 2018

Olá a todas.
Acho que mais uma vez escrevo para organizar ideias e desabafar do que propriamente procurar ajuda, mas preciso de saber que existem outras mães a passar pelo mesmo para não me sentir tão horrível.
Tenho duas filhas, com apenas 26 meses de diferença entre elas. Quando a minha pequenina nasceu a irmã tinha apenas 2 aninhos, e nunca foi propriamente uma criança fácil. Nunca dormiu uma noite inteira, ainda acorda aos berros todas as noites (3/4 x por noite), têm imensos pesadelos, têm um registo de chorar imenso por tudo, é super asneirenta, uma personalidade vincada..
Não me quero desculpar, mas a verdade é que 90% da atenção é para ela.
Quando a mais nova nasceu, fiquei em casa com as duas sozinha 24h/7 (só tinha o pai à noite) porque a mais velha ainda não andava na escola e até então ficava na avó, mas quando a irmã nasceu deixou de querer ir para a avo. E se foi difícil aí com duas bebes de colo em casa, a verdade é que a mais pequena felizmente era só mamar e dormir e fui gerindo com muito cansaço mas fui.
Agora que voltei ao trabalho, que é super exigente e infelizmente sem um horário de 6horas na grande maioria dos dias, têm sido um desafio.
Já consegui colocar a mais velha no infantário (apesar de ter estado quase sempre doente em casa desde Setembro até agora) mas a carga está a ser tão grande que tenho falhado tanto mas tanto que me sinto horrível.
A gestão das miúdas está quase tudo por minha gestão (idas para a escola, recolha, levar a mais pequena na avó e ir busca-la) e ainda estou muito tempo sozinha com as duas, o que me leva a energia toda.
Como dormem pessimamente, não consigo ter serão nem que seja para descansar ou organizar a casa e a mente! Começo a deita-las às 21h e as vezes é meia-noite e ainda andamos os dois (eu e o meu marido) de quarto em quarto. A pequenina ainda mama imenso ( mais do que um recém nascido talvez) não dorme sozinha, não usa chupeta, não aceita leite nenhum (há outro post meu a explicar isso) Então adormeço a mais velha enquanto o Marido tenta adormecer a mais pequena depois de mamar e às vezes andamos horas nisto até as duas acabarem por cair no sono, que na maioria das vezes dura 1/2h, porque a bebé com 10 meses não dorme 2h seguidas sequer. E se não é a mais pequena é a mais velha que acorda com um pesadelo e está uma hora a chorar seguida até acalmar.
Estou exausta, e depois isto reflete-se no resto, principalmente na mais pequenina. Falho nas sopas das pequenas, há dias que nem sequer tento dar porque ou não tenho ou não tenho energia, não consigo ter tempo de fazer comida para ela, acaba por comer o que comemos em casa, fruta é tudo comprado porque não tenho tempo de cozer e dar-lhe. Não a estimulo nada e a miúda passa imenso tempo na cadeira ou no chão e não passa dali..

Não temos ajuda absolutamente nenhuma em casa nem na gestão das miúdas (tirando a minha mãe que fica com ela durante o dia) e ainda acabamos por fazer bastantes saídas ao fim de semana para ajudar os meus sogros que têm problemas de saúde e nem ao sábado e domingo temos para nos organizarmos.
Estou pronta para desmamar mas não consigo, estou com uma depressão pós parto em cima que já tinha ficado da primeira filha mas mal tratada e para ajudar um regresso ao trabalho horrível.

Queixei-me à médica de família, que me receitou Valdispert e mais nada fez. Estou a ser seguida no psicólogo, que me diz que nós precisamos é de dormir, mas isso eu sei!
Não me arrependo nunca de ter filhos tão próximos porque o amor entre as duas é maravilhoso e foi a melhor prenda que dei à minha filha mais velha, mas está a ser tão difícil.. Sinto tanta culpa por falhar com a mais nova.

Mães de dois, como é a vossa gestão diária? Também sentiram-se a falhar no segundo filho?

Sansa -
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Desde 18 Jan 2018

Lamento saber o quão difícil está a ser.
Não tenho 2 filhos, mas tive uma que me sugou a energia toda quando era bebé, mas ao contrário da desalinhada, não trabalhava, e não tinha de andar em correrias para aqui e para ali.
Será que o vosso orçamento lhe permite tirar uns meses de licença sem vencimento? Eu confesso que fiquei cansada só de ler o relato, calculo que deve andar estoirada.
Não se sinta culpada por fazer aquilo que lhe for mais fácil. Outros dias virão e terá oportunidade de cozinhar e preparar mais refeições. Há fases nas nossas vidas em que andamos ocupadas a tentar "holding it together" e não sobra energia para mais nada. "It sucks" e parece que os outros conseguem fazer tudo melhor, mas todas temos as nossas lutas.
E o mais importante é tirar tempo para si, para cuidar de si.

MisaL -
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Desde 17 Abr 2019

Os meus também me sugam muito as energias. Por um lado eu não me aventurei em ter filhos tão próximos e acho que nunca tive essa sensação de culpa, por outro ficava sozinha com os 2 durante a semana. Nós culpa vamos sentido sempre aqui e acolá, mas não era uma sensação que fizesse parte do meu dia a dia, quantas vezes o meu filho não tomou banho, porque já não havia tempo, nem paciência, quantas vezes comprei sopa no mac donald's antes de ir para casa só para não estar a fazer nada, quantas vezes o bebé andou o dia todo na rua, porque a irmã tinha isto e aquilo, com 2 semanas/1mês já estava a ir comigo levar a irmã às festas de aniversário, entrei em teletrabalho na 1a quarentena tinha o bebé 9 meses.... Nós vamos fazendo o que conseguimos com o que a vida nos dá.
A depressão não ajuda, devia ser acompanhada por psiquiatria, depressão e alterações hormonais tudo em cima não ajuda e não chega o Valdispert. Peça encaminhamento para especialidade.
Uma vez que tem o apoio da sua mãe não consegue tirar uns dias de férias ou folgas e dedicar-se a si própria? Tirar um dia para tomar o pequeno-almoço descansada, ir arranjar-se ou fazer uma massagem, dormir uma sesta, por exemplo? Contratar alguém que possa dar um apoio em casa, preparar umas refeições, passar a ferro?

Sofia Guerreiro -
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Desde 08 Maio 2009

Bolas só ler estou cansada. Eu tenho filhos idade próximas, mais velho era uma peste com 3 anos com energia para dar e vender quando a irmã nasceu, tive pos parto muito complicado vale ela era um Paz de alma. É normal que sinta cansada senão dorme em condições não consegue recuperar como deve ser. Sei quer o melhor para a mais nova, continuar amamentar durante a noite, se a Mãe não tiver Ok não terá força para cuidar das 2, vçs já já apresenta um quadro de exaustão. Psicólogo é suficiente a medicação quando está amamentar não há muito pode tomar, pondere melhor decisão para si, não pense é ser egoísta é autoestima.

Mag_M -
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Desde 13 Jul 2018

Eu também fiquei cansada de ler, imagino a realidade. Mas o que me saltou logo à vista foi a cobrança que está a colocar em si mesma e que não ajuda nada.
Não comem sopa todos os dias? O meu nunca mais consegui sequer que pegasse.
Comem fruta de pacote? Não é o ideal, mas quem nunca, de vez em quando ou em fases mais loucas?
A casa está uma confusão? Se visse a minha!.... Fazemos o essencial e pronto.
Não se cobre tanto!
Não sei se é uma hipótese, mas colocar a dormir perto de vós? Deitarem-se todos juntos, no mesmo horário?
A mim ajuda-me planear as refeições e, na medida do possível, cozinhar de antemão.
E sim, tem de encontrar alguém com quem possa desabafar. Amigas que possam dar uma mão, tem? Peça! Não temos de fazer tudo sozinhas!

RoxyGirl -
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Desde 27 Jan 2016

Percebo perfeitamente o seu cansaço, mas vou dar algumas sugestões não pedidas 😉

- primeiro, ainda bem que a sua médica de família lhe receitou valdispert, pois a pessoa mais indicada para diagnosticar e receitar medicação para a depressão é o psiquiatra, marque uma consulta e cuide de si (penso que existem antidepressivos compatíveis com a amamentação);

- se a psicóloga só lhe diz que precisa de dormir, então precisa de mudar de profissional, um psicoterapeuta seja mais indicado para si;

- atenção, não faço ideia da situação da vossa família, mas se calhar passará por darem um pouco menos de "apoio" aos seus sogros e tentar recuperar algum tempo para vocês os quatro;

- em relação à pequenina (eu sei que vou ser trucidada por este conselho 😅) já pensou em desmamar a sério? Digo isto pois, eu, da primeira filha fui praticamente uma nazi da amamentação, em relação a mim e a terceiros e achava piamente que ia amamentar a miúda até 2/3 anos, pois que aos 12/13 meses ela entrou numa fase igual à sua e eu gritei basta! Aos 14 ou 16 meses (já não me lembro bem) fiz o desmame radical, foram dois dias horríveis, mas que me devolveram uma enorme qualidade de vida para todos cá em casa. Ela também não bebia biberão, LA, chucha, só adormecia na mama, etc, mas a verdade é que no infantário não precisava nada disto (entrou aos 6 meses). Agora, no segundo filho, quis o destino que o miúdo não tivesse força para mamar e olhe, nem pensei duas vezes, LA ao quinto dia de vida e foi das melhores decisões que tomei. Tive pena de não amamentar? Sim, mas na realidade até acabou por ser uma jornada bem mais fácil;

- em relação à casa, faça o mínimo indispensável, com o tempo recupera o ritmo;

- em relação às sopas e fruta, nem pense sobre isso, acontece sempre com os segundos e seguintes filhos 😅 com a primeira, a comida era toda o menos processada possível (mas muitas frutas de pacote, hoje em dia, a maior parte das marcas têm estás frutas sem aditivos nenhuns), muito babyledweaning, já com o segundo... É sopa com proteína porque é mais prático, já comeu cerelac porque a mais velha também gosta, até já comeu pão de leite altamente processado, pois estava a ver a irmã a comer e também quis, e sabe onde está a minha culpa? Em lado nenhum, os meus filhos têm uma mãe com uma cabeça com muito poucos stresses, uma mãe que até consegue dormir umas boas horas de noite e que não anda estafada nem preocupada com o que fez a um e não a outro😉

RoxyGirl -
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Desde 27 Jan 2016

Olhe, nem de propósito, são 16h50, tenho de sair de casa para os ir buscar ao colégio e a seguir natação da mais velha e acabei de decidir que o mais novo vai jantar cerelac porque me esqueci de fazer sopa e não vou stressar chegar a casa às 19h15 e ir fazer uma sopa à pressa 😉

Sansa -
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Desde 18 Jan 2018

RoxyGirl escreveu:
Olhe, nem de propósito, são 16h50, tenho de sair de casa para os ir buscar ao colégio e a seguir natação da mais velha e acabei de decidir que o mais novo vai jantar cerelac porque me esqueci de fazer sopa e não vou stressar chegar a casa às 19h15 e ir fazer uma sopa à pressa 😉

O meu namorado não janta cá em casa às 5as, e não me apetece cozinhar só para nós as duas. A miúda acaba por comer frequentemente papa de aveia, porque aveia é um cereal e é saudável e quem é que disse que não pode ser servido ao jantar?

Desalinhada -
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Desde 13 Set 2018

Obrigada a todas pelas mensagens.
Ajudaram todas um bocadinho em alguns pontos, mas em outros ainda piorou, sendo completamente honesta, porque admiro como conseguem tudo, com leveza e e eu não. Mas sei que este sentimento, esta culpa, este aperto é muito toldado pelo estado depressivo em que parece que tenho palas nos olhos e só vejo o mau.
Há várias questões que propuseram que infelizmente não consigo contornar.
- Não posso tirar mais tempo de licença, tirei a licença alargada mais as férias todas juntas que podia e por isso só regressei agora ao trabalho com ela já com 10 meses. Não sei como teria sido se tivesse regressado aos 5 meses (se calhar até tinha corrido melhor não sei). E estes últimos meses só a receber 25% do ordenado fizeram moça no orçamento familiar e temos que o recuperar.
- Por isso também não temos orçamento para ter ajuda em casa. Posso contar comigo e com o meu marido e mais nada. Está bastante apertado e não posso cortar em coisas mais fúteis (restaurantes, saídas e assim porque já não o fazemos)
- Infelizmente também toda a gente se afastou depois da maternidade (eram ricas amigas). As minhas cunhadas que ainda me podiam dar algum apoio também elas foram mães agora e honestamente estamos todas a precisar de ajuda.
- A mais pequena sempre dormiu comigo desde que nasceu. Mesmo pela privação do sono sempre dei de mamar deitada. Por isso desde o dia 1 que é cama partilhada. Mas começo a achar honestamente que é por isso que dorme tão mal que passa a noite à procura da mama.
E em relação à amamentação, não sou nada extremista. Fui na primeira filha e foi o que me levou à depressão. A miúda começou a rejeitar a mama aos 3 meses e até aos 8 bebeu leite meu porque passava o dia a tirar com a bomba para lhe dar.
Percebi tarde que aquilo não estava a trazer nada de bom para nenhuma.
Na mais pequena, por isso mesmo já andamos há mais de 4 meses a tentar que ela pegue em leite, biberão, mas sem sucesso. Porque o meu estado de exaustão só queria algum descanso. Sei que não é O problema, mas ajudava se por exemplo durante o dia ela não mamasse de hora em hora e me deixasse com mais liberdade para sair. Ela não come nada, mesmo nada durante o dia ainda. Basicamente está só a fruta.
Achei que íamos ter sucesso de introduzir leite e biberão quando estive 3 dias fora em trabalho. Pois bem que a miúda berrou imenso nesses dias na minha mãe e comeu fruta de madrugada, porque nem aí aceitou o biberão.
Cerelac, nem posso chegar perto que ela cospe tudo.

Há imensos factores que me fazem estar num estado de exaustão tão grande. Mas agarro-me à esperança que um dia vai passar, que vai tudo melhorar. Um dia elas vão dormir, vou conseguir fazer algumas coisas em casa sem ter a mais velha (principalmente) atrás de mim.

Sempre quis filhos muito próximos, e apesar de ter tido uma experiência desgastante com a primeira que chorava dia e noite, cólicas, nunca dormiu bem, sempre foi intensa, achava que ia ter um bebé unicórnio no segundo. Não tive.
Tenho duas filhas maravilhosas, que amo imenso mas são as duas difíceis nas suas particularidades.

Não sou, nunca fui uma pessoa negativa, depressiva. Aliás, acho que ninguém percebe o quão mal eu estou. O desespero que trago. Porque sei esconder, apesar de andar a gritar por ajuda há meses e ninguém ouve.
Um beijinho a todas, vou procurar psiquiatra como me aconselharam.

Sansa -
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Desde 18 Jan 2018

Fico sempre com o coração apertado perante desabafos como este. Tenho mesmo muita pena que a sociedade em geral não seja mais favorável às famílias, e às mães em particular.
Sim, vai a um psiquiatra, sem mais demora, e sê franca com tudo o que sentes, e quais as tuas necessidades. Muito possivelmente consegues baixa psicológica, e sempre contínuas a receber. É imperativo que cuidar de ti, que descanses, e que facilites as tarefas ao máximo.

prat -
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Desde 25 Jan 2023

Desalinhada, nada é o que parece. Não acredite nas vidas perfeitas que os outros (aparentemente) têm.
Todos temos problemas.
Nos primeiros meses há uma agravante: as hormonas! Depois há as birras, as brigas (os meus sozinho são anjos!), ... Mas também há coisas boas e que vão deixar saudades (tenho saudades de amamentar apesar de ter sido complicado).
Procure ajuda e relativize as coisas. Faça um plano de tarefas e tente cumprir (se não cumprir paciência!!). Inclua o pai!
Tente criar autonomia às suas filhotas (parece absurdo agora, mas a longo prazo não) e vai ver que com o tempo as coisas melhoram. Se puder ir ao wc sozinha é uma vitória!
Eu tinha tudo automatizado mas "esqueci-me" de incluir os miúdos e o pai. Agora tenho dois filhotes que "exigem" a minha presença em tudo e um marido que não vê certas coisas.
Até os dentes querem que eu lave.
Não dá!
A culpa é minha porque permiti isso.
Agora sou "má" porque recuso-me a ajudá-los em coisas básicas. Antes bruxa má que escrava.
Por outro lado ajudam-me a cozinhar. Discutem, sujam tudo e eu vou sonhando com o dia em que serão eles a fazer o jantar (apesar de me apetecer mandá-los embora).
E mais teria para partilhar, coisas más principalmente (as boas todos partilham). :p
Cuide de si!
Felicidades!

Ana Maria Costa1 -
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Desde 01 Fev 2019

Se calhar tem mesmo de repensar essa ajuda a familiares, se não cuidar mais de si não tardará muito que nem isso consiga quanto mais dos outros!

MisaL -
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Desde 17 Abr 2019

Tem de pedir ajuda médica, porque com uma depressão as coisas não são iguais a não ter e se já não estava totalmente curada da 1a ainda pior. A depressão tira também as forças, a disponibilidade mental para descomplicar e ver por outro ponto de vista...
Talvez começar aos poucos a pedir ajuda, mas pedir diretamente, dizer: olha, precisava muito que hoje me fizesses uma panela de sopa / me ficasses com os meninos uma tarde.
Hoje tirei umas horas para mim, conclusão não fiz as camas, logo o pai vai dar o jantar, porque eu tenho formação e chego tarde...quase que aposto que vai haver gente a dormir na cama por fazer. As nossas vidas também são um caos muitas vezes (muitíssimas vezes), mas lá vamos andando. Também não sou de pedir ajuda, mas só a minha sogra fazer uma sopa ao domingo que dê para uns dias é excelente. A minha mãe também me vai fazendo às vezes. Mesmo que não seja permanente um dia ou outro alguém fazer algo já alivia.
As coisas vão melhorar, claro que vão, mas não se deixe a aguentar.

Anotski85 -
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Desde 09 Jun 2020

Bem, eu não fiquei cansada de ler, porque, embora só tenha um bebé, também estamos sozinhos e já passei uma fase de caos completo, como o que a Desalinhada relata. Recentemente o meu pai teve um Avc e a carga de trabalho de cuidar ainda aumentou exponencialmente. Por isso, vidas perfeitas só mesmo no Instagram, que offline e dentro de casa, há sempre um certo caos. Não se fixe nisso,no olhar para o lado.
Mas, adiante, vou dar um sugestão diferente, que pode colidir com uma opção vossa, mas que acho que deve considerar: Ponha as duas filhas na creche. Especialmente agora, que a mais nova tem direito a vaga gratuitamente.
Ter as suas duas filhas na creche vai aliviar os adultos todos da família. Vai também ajudar as crianças a ter uma rotina muito consistente e a ter cuidadores que não são da família e que os ajudam a ter outros hábitos para além daqueles que nós incutimos em casa (aqui, no nós, incluo a sua mãe, que as avós são sempre muito condescendentes com os netos). Um deles é dormir num berço. Acredite, faz diferença.
Outra, é comer o que todos comem na creche.
Outro ainda, é perceber que há vida para lá da dinâmica da casa e que a mãe vai de manhã, mas volta ao fim do dia para estar com elas.
No início vai custar. Mas tudo se alinha.
No entretanto, a sua mãe fica livre do cuidado à neta por umas horas todos os dias, e pode cuidar mais da filha, que está a precisar desesperadamente de ajuda. Bastava tirar uma manhã de segunda feira para lhe fazer três pratos de forno em travessa e a desalinhada tinha jantar feito para a semana toda. Mais uma sopa e estão as refeições arrumadas.
Não pode contratar uma empregada. Ok. Junte 50 euros por mês durante 3 meses e compre um aspirador robot. Enquanto trabalha ele aspira a casa.
À noite antes de irem para a cama, a rotina tem de incluir arrumar os brinquedos. Já faço isso com o meu e só faz 11 meses amanhã.
Banhos, no inverno, a cada 2 dias. O pai dá à mais velha, a mãe à bebé. Enquanto um da banho, o outro aquece o jantar. Um dia por semana a bebé fica na creche mais uma hora e a Desalinhada vai a casa antes de a ir buscar - para despachar alguma tarefa, ou só para se sentar no sofá a respirar fundo. Ou então, nesse dia vai a avó buscar a bebé à creche. A desalinhada fica com uma hora para si na mesma, ate duas, e a bebé tem o miminho da avó.
.
Cá em casa o bebé está na creche desde os 7 meses. Nós estamos em teletrabalho. Ele vai às 9h30/10h, levo eu ou o pai, trocamos ao ir buscar. Enquanto um leva, o outro adianta tarefas diárias, tipo fazer camas e assim. Na pausa da manhã tiro 15 minutos para fazer tarefas (normalmente pôr roupa a lavar e a secar). No almoço, faço pratos que rendam para ficar para o jantar. Para o bebé faço sempre pratos que divido em 3 ou 4 doses e congelo para ter sempre disponível (sopas e segundo prato). Às 15h30 vamos buscar o bebé. Brinca, mama, dorme uma sesta, geralmente ao colo que não gosta de berço nessa sesta. Acorda, veste o pijama (ou toma banho também) , anda a gatinhar atrás de mim enquanto eu faço qualquer coisa, janta, brinca, higiene e mama para dormir. Às 20h30/20h45 está deitado.
Enfim... Olhe para esta possibilidade da creche e pense se poderia aliviar a sua rotina e como. Se concluir que sim, que aliviaria, podere com carinho. As crianças não passam mal na creche, pelo contrário.
.
Quanto à questão psiquiátrica, acho que precisa mesmo é de descanso. Até pode haver uma depressão aí a tratar, mas a própria depressão é uma consequência da privação de sono. Por isso, sim, é de ir, mas também tem de se organizar de maneira a não fazer da sua própria vida uma experiência tão difícil. E tudo começa cá dentro, no sermos mais amigas de nós próprias e não nos culparmos por não conseguir o impossível.
Um beijinho e um abraço de força.

Sansa -
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Desde 18 Jan 2018

Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

Anotski85 -
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Desde 09 Jun 2020

Sansa escreveu:
Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

Acredito! Mas sabes que eu tive de me organizar na minha rotina, senão fritava o pirolito. Se eu conseguir manter esta rotina mais ou menos estável, a coisa corre bem e até consigo numa hora de almoço, mais para a quinta e a sexta feira, descansar um bocadinho. É que aqui não há mesmo ninguém para ajudar e se a coisa descarrila, fica tudo um caos,não há comida feita, nem compras feitas, nem roupa para o bebé vestir porque são aos 2 e 3 Bodies por dia para lavar. Enfim, parece uma disciplina militar, mas virando rotina, acaba por fazer fluir tudo.
.
Ah, e esqueci me de mencionar as compras. Faço uma vez por semana. Online. Quando me vou deitar, já o bebé está a dormir, ou numa das sestas dele, faço as compras no mercadão e peço para entregar na hora de almoço do dia seguinte. Como gasto sempre mais que 90 euros, a entrega é sempre gratuita e assim não perco uma manhã de sábado ou domingo a ir ao supermercado. Por norma, ao sábado de manhã, vamos passear!

Anotski85 -
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Desde 09 Jun 2020

Anotski85 escreveu:

Sansa escreveu:Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

Acredito! Mas sabes que eu tive de me organizar na minha rotina, senão fritava o pirolito. Se eu conseguir manter esta rotina mais ou menos estável, a coisa corre bem e até consigo numa hora de almoço, mais para a quinta e a sexta feira, descansar um bocadinho. É que aqui não há mesmo ninguém para ajudar e se a coisa descarrila, fica tudo um caos,não há comida feita, nem compras feitas, nem roupa para o bebé vestir porque são aos 2 e 3 Bodies por dia para lavar. Enfim, parece uma disciplina militar, mas virando rotina, acaba por fazer fluir tudo.
.
Ah, e esqueci me de mencionar as compras. Faço uma vez por semana. Online. Quando me vou deitar, já o bebé está a dormir, ou numa das sestas dele, faço as compras no mercadão e peço para entregar na hora de almoço do dia seguinte. Como gasto sempre mais que 90 euros, a entrega é sempre gratuita e assim não perco uma manhã de sábado ou domingo a ir ao supermercado. Por norma, ao sábado de manhã, vamos passear!


Acrescentar, para que a Desalinhada não pense que mesmo assim a minha casa está um brinquinho, que cá em casa há sempre cestos de roupa para passar em cima da cama de solteiro no quarto do bebé, os cestos de roupa suja andam sempre cheios também (mesmo com a rotina militar!), a cozinha tem sempre um certo nível de caos quando o bebé está em casa (a partir das 16h, seguramente), and so on... Enfim, não se consegue tudo. Mas também não ando a culpar me por não conseguir. É o que é. Quando o bebé crescer lá haverá tempo para ter quartos em modo showroom.

Desalinhada -
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Desde 13 Set 2018

Olá Anotski85 ,
Obrigada pelo comentário. Eu nunca tive ajuda em nenhuma fase, mesmo só quando tinha uma filha e com a mais pequenina e fui aguentado. Acredite, ter dois filhos com apenas 2 anos de diferença muda tudo, principalmente quando a mais velha é exigente exigente..
Não é o mesmo que ter uma. Quando era só uma, apesar de ter sido difícil andávamos muito mais calmos. Com duas que não dormem, que exigem muito.. não é igual.
(Podem ver aqui um dos desabafos sobre ela)
https://demaeparamae.pt/forum/psicologo-infantil-sono-3-anos#comment-

Quando li a questão das creches, não me leve a mal, mas soltei uma gargalhada, que neste panorama foi bem positivo. A bebé de 10 meses está inscrita em 14 creches (publicas, IPSS e provadas) em 3 concelhos diferentes desde Junho. Não teve vaga em nenhuma. Moro numa região de muita gente desempregada, baixos rendimentos. Têm todos prioridade à minha frente.. Estou à espera da vaga no privado mas as creches gratuitas é uma utopia.
A única creche com vaga aqui no Distrito (DISTRITO) é a 80 km de minha casa. Quem me dera que ela tivesse na creche, mesmo que fosse longe. É que a mais nova está na min mãe que vive a 15 km de mim e a mais velha no infantário exatamente no sentido oposto a 8 km de casa.
Ou seja, quando vou buscar a pequena depois ainda faço 23 km para apanhar a outro e mais 8 km para voltar a casa. Não há alternativas.

A questão de saúde do meus sogro é também um AVC, neste caso especifico já foram 4. Está inválido e a minha sogra que era super dependente do marido não têm ajuda nenhuma. Precisa de nós para tudo. Compras, ir ao médico, conduzir, etc.
Não consigo dizer que não posso ajudar. O mesmo com a minha mãe. Que têm um problema grave no coração e que não consigo sobrecarrega-la com tarefas. Já fica com a bebe, não posso pedir-lhe que me ajude mais ainda.

Não tenho redes sociais, por isso não sei o que se passa na casa dos outros, mas com as amigas mães parecem sempre tão em paz e eu sempre em guerra. Perceber que também há roupa espalhada, cozinhas num caos foi positivo. Por exemplo, a questão das camas, acho que fiz a minha cama 3/4 vezes desde que a mais nova nasceu.

Só para contextualizar, o meu trabalho não é "normal". Saimos todos de casa às 8h15-8h30. Chegamos todos por volta das 19h. Não há teletrabalho que nos salve, não posso vir a casa na hora do almoço adiantar nada. Faço várias viagens em trabalho, há dias que tenho que sair de casa às 4h da manha porque tenho que ir a Bragança ou assim e chego às 21h.

Era suposto com um bebe de 10 meses? Não. Mas é um trabalho que adoro (auditoria, formação, consultoria) e acho que se vier para casa de baixa que ainda vai ser pior.

São só demasiadas questões (trabalho exigente, zero apoio familiar, crianças muito exigentes)

Vai melhorar. Como diz a Misal, vai sim, mas percebi que não posso ir aguentando sempre.
Hoje tenho a primeira consulta de psiquiatria.

Depois conto.

RoxyGirl -
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Desde 27 Jan 2016

Sansa escreveu:
Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

E a mim também 😅
Estive quase a ficar "chateada" com o comentário, mais ainda que agora tenho uma depressão no lombo, mas vá lá que a minha está a dar-me mais para a raiva e ausência do sentimento da tristeza, e para procrastinar (ainda mais do que o normal 😅).

Mas concordo com a Anotski, quando diz à autora que as casas não estão um brinco, tenho louça de pequeno almoço suja há dois dias e saí de casa com as camas por fazer e um saco de lixo na cozinha que já devia ter sido deitado fora há pelo menos 3 dias😂

RoxyGirl -
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Desde 27 Jan 2016

Desalinhada, primeiro que tudo aqui vai um abraço bem forte, já percebi que a sua vida está um caos desgraçado e realmente não há muito que alterar, mas existem duas coisas que pode alterar e acredito verdadeiramente, que vão fazer a diferença:

Tomar medicação adequada para a depressão, espero mesmo que a sua consulta de hoje corra bem 🤍
E por favor, volto a dizer, mude de psicóloga, peça à psiquiatra para lhe indicar um bom psicoterapeuta, a psicoterapia faz maravilhas pelo nosso mindset. Eu sempre fui uma pessoa descontraída por natureza, mas a psicoterapia fez maravilhas por mim!

Uma sugestão, não conseguem apoio da ss
ou santa casa da misericórdia para o seu sogro? Sempre vos poderia aliviar um pouco o fardo

Anotski85 -
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Desde 09 Jun 2020

RoxyGirl escreveu:

Sansa escreveu:Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

E a mim também 😅
Estive quase a ficar "chateada" com o comentário, mais ainda que agora tenho uma depressão no lombo, mas vá lá que a minha está a dar-me mais para a raiva e ausência do sentimento da tristeza, e para procrastinar (ainda mais do que o normal 😅).
Mas concordo com a Anotski, quando diz à autora que as casas não estão um brinco, tenho louça de pequeno almoço suja há dois dias e saí de casa com as camas por fazer e um saco de lixo na cozinha que já devia ter sido deitado fora há pelo menos 3 dias😂


Não há mesmo razão nenhuma para ficar chateada com o meu comentário. Partilhar ideias sobre como organizamos as nossas coisas para nos facilitar a vida é um meio de tentar ajudar, não é, nem pode ser visto como, uma forma apontar o dedo. Ainda agora, estou sentada na sala a trabalhar, e a casa está um caos à espera que eu tenha a hora de almoço para organizar. É a vida.
.
Desalinhada, mais tarde volto para lhe responder. Mais uma vez, deixo um abraço de força, e fico na esperança de que esta consulta a ajude muito.

Sansa -
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Desde 18 Jan 2018

RoxyGirl escreveu:

Sansa escreveu:Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

E a mim também 😅
Estive quase a ficar "chateada" com o comentário, mais ainda que agora tenho uma depressão no lombo, mas vá lá que a minha está a dar-me mais para a raiva e ausência do sentimento da tristeza, e para procrastinar (ainda mais do que o normal 😅).
Mas concordo com a Anotski, quando diz à autora que as casas não estão um brinco, tenho louça de pequeno almoço suja há dois dias e saí de casa com as camas por fazer e um saco de lixo na cozinha que já devia ter sido deitado fora há pelo menos 3 dias😂


Posso estar errada, mas tenho a impressão que em Portugal existe uma pressão maior para ter a casa SEMPRE num brinco porque nunca se sabe quando poderá alguém lá entrar. Até para a pessoa que faz as entregas e que dá dois passos dentro de casa, tem que estar tudo aprumado.
Isto é péssimo para nós.
Aqui na Holanda, já visitei muitas casas, a maior parte de famílias com crianças (e até adolescentes), e garanto-vos que estão um autêntico caos. E não estamos a falar de casais que trabalham 10 horas fora de casa, muito pelo contrário. Ou seja, não é pela falta de tempo, é mesmo porque não vêm qual é o objetivo de passar muito tempo a arrumar e a limpar um espaço que no máximo se mantém uma manhã limpo e arrumado.
Acho que não conheço ninguém que passe a ferro. Ainda no fds passado, me perguntaram se eu queria uma tábua de passar a ferro visto que não lhe davam nenhum uso. Eu respondi que não, que já tinha uma arrumada no armário meses a fio.
E as fotos no Instagram, sabe-se lá o que se passa por trás da câmara.
.
Antes de ser diagnosticada e ser acompanhada, tive um período em que não tinha energia mental para nada que implicasse sair da minha zona de conforto. As outras pessoas não entendiam como é que "algo tão simples" me provocava tanto transtorno ou ansiedade. Hoje sei o que é - disfunção executiva - e também sei como lidar com isso. O facto de ter ultrapassado a depressão também ajuda muito. Mas basicamente é isto, as outras pessoas olham para uma pedra no caminho e vêem uma pedra, nós vemos uma montanha e como não sabemos como ultrapassar o obstáculo, não agimos, ignoramos, procrastinamos, etc.
Uma das frases mais engraçadas que li sobre disfunção executiva é esta:
"Changing your bedsheets is a high risk commitment because from the second you take the old ones out, you enter an almost unwinnable race against your executive dysfunction, and any miscalculations will result in you sleeping on a bare ass mattress for a all week "
.
É necessária muita energia mental para conseguir fazer tantas alterações à rotina, de uma só vez, e alguém com depressão (ou com THDA) olhando para uma lista tão exaustiva, paralisa.
É tipo o esquema em anexo

fmmartins -
Offline
Desde 14 Dez 2016

Sansa escreveu:

RoxyGirl escreveu:

Sansa escreveu:Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

E a mim também 😅
Estive quase a ficar "chateada" com o comentário, mais ainda que agora tenho uma depressão no lombo, mas vá lá que a minha está a dar-me mais para a raiva e ausência do sentimento da tristeza, e para procrastinar (ainda mais do que o normal 😅).
Mas concordo com a Anotski, quando diz à autora que as casas não estão um brinco, tenho louça de pequeno almoço suja há dois dias e saí de casa com as camas por fazer e um saco de lixo na cozinha que já devia ter sido deitado fora há pelo menos 3 dias😂

Posso estar errada, mas tenho a impressão que em Portugal existe uma pressão maior para ter a casa SEMPRE num brinco porque nunca se sabe quando poderá alguém lá entrar. Até para a pessoa que faz as entregas e que dá dois passos dentro de casa, tem que estar tudo aprumado.
Isto é péssimo para nós.
Aqui na Holanda, já visitei muitas casas, a maior parte de famílias com crianças (e até adolescentes), e garanto-vos que estão um autêntico caos. E não estamos a falar de casais que trabalham 10 horas fora de casa, muito pelo contrário. Ou seja, não é pela falta de tempo, é mesmo porque não vêm qual é o objetivo de passar muito tempo a arrumar e a limpar um espaço que no máximo se mantém uma manhã limpo e arrumado.
Acho que não conheço ninguém que passe a ferro. Ainda no fds passado, me perguntaram se eu queria uma tábua de passar a ferro visto que não lhe davam nenhum uso. Eu respondi que não, que já tinha uma arrumada no armário meses a fio.
E as fotos no Instagram, sabe-se lá o que se passa por trás da câmara.
.
Antes de ser diagnosticada e ser acompanhada, tive um período em que não tinha energia mental para nada que implicasse sair da minha zona de conforto. As outras pessoas não entendiam como é que "algo tão simples" me provocava tanto transtorno ou ansiedade. Hoje sei o que é - disfunção executiva - e também sei como lidar com isso. O facto de ter ultrapassado a depressão também ajuda muito. Mas basicamente é isto, as outras pessoas olham para uma pedra no caminho e vêem uma pedra, nós vemos uma montanha e como não sabemos como ultrapassar o obstáculo, não agimos, ignoramos, procrastinamos, etc.
Uma das frases mais engraçadas que li sobre disfunção executiva é esta:
"Changing your bedsheets is a high risk commitment because from the second you take the old ones out, you enter an almost unwinnable race against your executive dysfunction, and any miscalculations will result in you sleeping on a bare ass mattress for a all week "
.
É necessária muita energia mental para conseguir fazer tantas alterações à rotina, de uma só vez, e alguém com depressão (ou com THDA) olhando para uma lista tão exaustiva, paralisa.
É tipo o esquema em anexo

Nem adianta. Faz-me lembrar a minha mana (bipolar) e quando lhe digo: "tens de fazer um esforço", ela responde: "não consigo" (está numa fase depressiva dos diabos como eu nunca tinha visto). Infelizmente tem de ser os meus pais a ajudar com refeições e algumas tarefas para ela se manter ativa e a trabalhar, a cuidar do filho.
Para a Desalinhada, envio um grande abraço de força, que a consulta de hoje a ajude. Não se culpe, está a fazer o melhor que pode e consegue, as suas filhas estão bem tratadas e são amadas, é o que importa.

carlaper -
Offline
Desde 11 Out 2011

Acho eu, que neste momento, o mais indicado seria recorrer a uma consulta/terapia do sono, porque sobrecarregada como está e sem dormir, sinceramente não sei como consegue, e até pode ser perigoso para si, visto que faz muitos kms por dia. Não tenho grandes conselhos, na minha opinião e visto que não tem qualquer apoio familiar, a solução temporária seria a abrandar, pedir baixa até conseguirem organizar melhor as vossas rotinas e os sonos.
Que corra tudo pelo melhor.

Anotski85 -
Offline
Desde 09 Jun 2020

Desalinhada escreveu:
Olá Anotski85 ,
Obrigada pelo comentário. Eu nunca tive ajuda em nenhuma fase, mesmo só quando tinha uma filha e com a mais pequenina e fui aguentado. Acredite, ter dois filhos com apenas 2 anos de diferença muda tudo, principalmente quando a mais velha é exigente exigente..
Não é o mesmo que ter uma. Quando era só uma, apesar de ter sido difícil andávamos muito mais calmos. Com duas que não dormem, que exigem muito.. não é igual.
(Podem ver aqui um dos desabafos sobre ela)
https://demaeparamae.pt/forum/psicologo-infantil-sono-3-anos#comment-
Quando li a questão das creches, não me leve a mal, mas soltei uma gargalhada, que neste panorama foi bem positivo. A bebé de 10 meses está inscrita em 14 creches (publicas, IPSS e provadas) em 3 concelhos diferentes desde Junho. Não teve vaga em nenhuma. Moro numa região de muita gente desempregada, baixos rendimentos. Têm todos prioridade à minha frente.. Estou à espera da vaga no privado mas as creches gratuitas é uma utopia.
A única creche com vaga aqui no Distrito (DISTRITO) é a 80 km de minha casa. Quem me dera que ela tivesse na creche, mesmo que fosse longe. É que a mais nova está na min mãe que vive a 15 km de mim e a mais velha no infantário exatamente no sentido oposto a 8 km de casa.
Ou seja, quando vou buscar a pequena depois ainda faço 23 km para apanhar a outro e mais 8 km para voltar a casa. Não há alternativas.
A questão de saúde do meus sogro é também um AVC, neste caso especifico já foram 4. Está inválido e a minha sogra que era super dependente do marido não têm ajuda nenhuma. Precisa de nós para tudo. Compras, ir ao médico, conduzir, etc.
Não consigo dizer que não posso ajudar. O mesmo com a minha mãe. Que têm um problema grave no coração e que não consigo sobrecarrega-la com tarefas. Já fica com a bebe, não posso pedir-lhe que me ajude mais ainda.
Não tenho redes sociais, por isso não sei o que se passa na casa dos outros, mas com as amigas mães parecem sempre tão em paz e eu sempre em guerra. Perceber que também há roupa espalhada, cozinhas num caos foi positivo. Por exemplo, a questão das camas, acho que fiz a minha cama 3/4 vezes desde que a mais nova nasceu.
Só para contextualizar, o meu trabalho não é "normal". Saimos todos de casa às 8h15-8h30. Chegamos todos por volta das 19h. Não há teletrabalho que nos salve, não posso vir a casa na hora do almoço adiantar nada. Faço várias viagens em trabalho, há dias que tenho que sair de casa às 4h da manha porque tenho que ir a Bragança ou assim e chego às 21h.
Era suposto com um bebe de 10 meses? Não. Mas é um trabalho que adoro (auditoria, formação, consultoria) e acho que se vier para casa de baixa que ainda vai ser pior.
São só demasiadas questões (trabalho exigente, zero apoio familiar, crianças muito exigentes)
Vai melhorar. Como diz a Misal, vai sim, mas percebi que não posso ir aguentando sempre.
Hoje tenho a primeira consulta de psiquiatria.
Depois conto.

Enfim, agora, sim, fiquei cansada a ler esta resposta. Eu já tinha colapsado a fazer tantos km ao dia e ainda a trabalhar 10h por dia.
Não me leve a mal não estar a focar um suposto problema de saúde mental, como a depressão. É que o que eu leio nas suas palavras é uma data de problemas à sua volta que a estão a assoberbar, e não há medicamentos que o psiquiatra lhe possa prescrever que ajudem nessa parte, que é a que precisa mesmo de intervenção urgente (isto não significa, claro, que não deva tratar uma depressão, apenas que há um contexto em que tem de intervir, para poder atuar nas diversas frentes. Acredite que qualquer pessoa colapsaria a viver ao seu ritmo, pelo que o problema NÃO ESTÁ EM SI! ).
Assim, o que posso sugerir, continuando nesta minha ótica de pragmatismo a tentar ajudar na resolução de problemas, é:
- continuar a insistir na creche onde anda a sua mais velha para que aceitem a mais nova, se não neste ano letivo, no próximo então. Não falta Tudo. fazer o mesmo em qualquer outra creche perto do infantário atual da sua filha mais velha. A vaga há de aparecer.
- arranje uma hora para pesquisar IPSS na area de residência dos seus sogros com resposta de apoio domiciliário. Pode pesquisar no site da carta social. Precisa urgentemente de ajuda nessa parte, para que o serviço ajude a sua sogra e essa ajuda vos alivie a vocês. Os bombeiros da zona normalmente tratam de transportes de doentes não urgentes, pelo que pode pedir esse serviço para os seus sogros irem a consultas médicas. A minha avó usava esse serviço. Acho que eram 5 euros por cada consulta.
- as compras da sogra, faça online, as suas também, e eles entregam em casa.
- quanto ao trabalho, por mais que o adore e seja difícil dizer não em certas circunstâncias, faça por cumprir o seu horário de trabalho. Enquanto esteve de licença, por certo o trabalho não ficou por fazer. Pense que não há trabalho que valha a nossa saúde mental. Não há trabalho que valha a nossa vida familiar.
- quanto ao sono das meninas, não sei mesmo o que mais aconselhar. Sei que as coisas vão eventualmente melhorar. Se calhar, e vivendo perto da minha mãe, eu talvez pedisse à minha mãe para me ajudar uma noite de vez em quando. Eu sei que parece estranho, mas às vezes é uma mudança na rotina que acaba por ajudar. O meu filho dormiu duas vezes uma noite inteira nos seus 11 meses de vida. As duas foram numa viagem de visita à família. Não sei, experimentar não fará mal, por certo, e talvez a mais velha até se acalme melhor na hora de ir dormir se a avó lhe contar uma história e dormir com ela.
.
Enfim. Hoje fique todo o dia a pensar em si e em coisas que poderiam aliviar o seu quotidiano. Se me ocorrer mais alguma coisa que possa ser útil, volto aqui para partilhar.
Mas uma coisa é certa: não pode continuar assim. Tem de accionar todos os serviços externos que a possam ajudar. Todas as ajudas fazem diferença.
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Como foi a consulta?

Sansa -
Offline
Desde 18 Jan 2018

Desalinhada, e será que a tua mãe não pode fazer uma panela maior de comida 2 x por semana, e sempre trazias algo para o jantar? Ou mesmo até uma sopa?

Anotski85 -
Offline
Desde 09 Jun 2020

Entretanto, enquanto janto, aqui vão alguns links úteis para aquelas respostas sociais que mencionei acima:
- carta social - https://www.cartasocial.pt/inicio
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- transporte não urgente de doentes - https://www.ers.pt/pt/utentes/perguntas-frequentes/faq/transporte-nao-ur...
O seu sogro, por consequência do avc, tem direito a este tipo de transporte para idas a consultas e outros cuidados de saúde.
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- rede de cuidados continuados integrados
https://www.arsnorte.min-saude.pt/cuidados-continuados-integrados/mapa-d...
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Lembrei me entretanto da rede nacional de cuidados continuados integrados porque o meu pai teve um avc, como disse, e foi encaminhado para uma unidade para fazer reabilitação. Lembrei-me, no entanto, que quando lia sobre o assunto, li que os doentes podem ser encaminhados via médico de família, e que o apoio pode ser tanto em regime de internamento como no domicílio. Visto que o seu sogro está inválido, como nos disse, e sendo doente de acidente vascular, penso que deve falar com a médica de família para ver que tipo de apoio a sua sogra pode receber da rede de cuidados continuados. Não sei qual o grau de dependência do seu sogro, mas veja as opções com o seu marido e estudem as respostas mediante a situação dele e da sua sogra, falando com a médica de família sobre isso. Também podem accionar a rede diretamente a partir da segurança social, caso a médica não se mostre disponível.
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Qualquer coisa em que eu possa ajudar na procura deste tipo de respostas sociais, envie mensagem privada.

Anotski85 -
Offline
Desde 09 Jun 2020

Sansa escreveu:

RoxyGirl escreveu:

Sansa escreveu:Bem Anotski 😂 como alguém com THDA que sofre de disfunção executiva (sintoma também presente na depressão) este teu comentário provoca-me ansiedade.

E a mim também 😅
Estive quase a ficar "chateada" com o comentário, mais ainda que agora tenho uma depressão no lombo, mas vá lá que a minha está a dar-me mais para a raiva e ausência do sentimento da tristeza, e para procrastinar (ainda mais do que o normal 😅).
Mas concordo com a Anotski, quando diz à autora que as casas não estão um brinco, tenho louça de pequeno almoço suja há dois dias e saí de casa com as camas por fazer e um saco de lixo na cozinha que já devia ter sido deitado fora há pelo menos 3 dias😂

Posso estar errada, mas tenho a impressão que em Portugal existe uma pressão maior para ter a casa SEMPRE num brinco porque nunca se sabe quando poderá alguém lá entrar. Até para a pessoa que faz as entregas e que dá dois passos dentro de casa, tem que estar tudo aprumado.
Isto é péssimo para nós.
Aqui na Holanda, já visitei muitas casas, a maior parte de famílias com crianças (e até adolescentes), e garanto-vos que estão um autêntico caos. E não estamos a falar de casais que trabalham 10 horas fora de casa, muito pelo contrário. Ou seja, não é pela falta de tempo, é mesmo porque não vêm qual é o objetivo de passar muito tempo a arrumar e a limpar um espaço que no máximo se mantém uma manhã limpo e arrumado.
Acho que não conheço ninguém que passe a ferro. Ainda no fds passado, me perguntaram se eu queria uma tábua de passar a ferro visto que não lhe davam nenhum uso. Eu respondi que não, que já tinha uma arrumada no armário meses a fio.
E as fotos no Instagram, sabe-se lá o que se passa por trás da câmara.
.
Antes de ser diagnosticada e ser acompanhada, tive um período em que não tinha energia mental para nada que implicasse sair da minha zona de conforto. As outras pessoas não entendiam como é que "algo tão simples" me provocava tanto transtorno ou ansiedade. Hoje sei o que é - disfunção executiva - e também sei como lidar com isso. O facto de ter ultrapassado a depressão também ajuda muito. Mas basicamente é isto, as outras pessoas olham para uma pedra no caminho e vêem uma pedra, nós vemos uma montanha e como não sabemos como ultrapassar o obstáculo, não agimos, ignoramos, procrastinamos, etc.
Uma das frases mais engraçadas que li sobre disfunção executiva é esta:
"Changing your bedsheets is a high risk commitment because from the second you take the old ones out, you enter an almost unwinnable race against your executive dysfunction, and any miscalculations will result in you sleeping on a bare ass mattress for a all week "
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É necessária muita energia mental para conseguir fazer tantas alterações à rotina, de uma só vez, e alguém com depressão (ou com THDA) olhando para uma lista tão exaustiva, paralisa.
É tipo o esquema em anexo


Sansa, até pode ser assim, como explicas, no caso da Desalinhada. Mas o que eu leio do relato dela é um quotidiano ainda mais assoberbado do que o meu, uma rotina em que não há sequer espaço para disfunção executiva.
E é preciso não fazer diagnósticos de doenças através do fórum. Porque o que tu vês como uma depressão, a mim parece-me um burn out. Mas nem tu, nem eu somos psiquiatras (acho que não és, não sei, na verdade), e a desalinhada foi hoje à consulta com quem o é. Deixemos então um diagnóstico para quem é especialista.
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Quanto à preocupação com a casa e as tarefas, bem, eu dei sugestões de alterações que podem ajudar a aliviar o quotidiano de um casal assoberbado. Eu não passo roupa a ferro,nem estendo roupa. Sai da máquina de lavar e vai para a de secar e daí é dobrada e vai para a secretária do meu quarto esperar que eu ou o meu marido tenhamos tempo para arrumar nos devidos sítios. A cada 15 dias / 3 semanas é preciso passar camisas (é a única coisa que não dá para fugir ao ferro) e pagamos 2h a uma senhora que nos faz isso. A roupa do bebé raramente vai à cómoda. Por norma ponho-a no cesto em cima da cama de solteiro do quarto dele, à espera que eu a dobre, mas como nunca tenho tempo vou tirando diretamente de lá durante a semana. Ao sábado já corri a roupa toda e já está tudo para lavar outra vez.
Aspirar a casa tem mesmo de ser, se não a criança anda a apanhar os cabelos todos com a roupa e as mãos e a levar os lixinhos todos que encontra à boca. Compramos um xiami para fazer isso, porque a quinta sempre li que dá uma ajuda imensa (e dá, efetivamente).
E louças para comermos e cozinhar também têm de estar lavadas, não há volta vá fugir, têm de ir para a máquina mais tarde ou mais cedo.
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Isto para dizer que não dei sugestões de como puxar o lustro às madeiras para brilharem na fotografia. Só falei do fundamental. E até posso dizer que bem vou espreitar os tópicos de receitas que vocês partilham aqui no fórum, mas como não tenho tempo de jeito para cozinhar, ando a fazer tudo em modo sem sal e tão mais saudável possível para dar para os pais e um bebé de 11 meses também. Ao jantar, quantas vezes lancho! Hoje foi nestum.
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Eu não tenho Instagram, nem uso o Facebook, e usei essas redes sociais como exemplos de veículos que alimentam uma imagem de fachada, que as pessoas constroem para publicitar nos seus círculos.
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Fico com a sensação de que as minhas sugestões foram mal recebidas. Lamento. A minha intenção é ajudar, repito. A pessoa não vai passar a fazer as coisas como eu, nem isso faria sentido. Mas se alguma ideia lhe convier e ajudar um pouco que seja, excelente. Já valeu a pena partilhar.

Sansa -
Offline
Desde 18 Jan 2018

Eu não fiz diagnóstico nenhum. A Desalinhada mencionou ter sofrido com depressão no pós parto da filha mais velha, e visto que existe uma relação estreita entre privação de sono e depressão, não penso ser uma ideia descabida.

MisaL -
Offline
Desde 17 Abr 2019

Concordo com muitas coisas que dizes Anotski85. O único ponto que tenho alguma dúvida é que a Desalinhada esteja numa situação que consiga agir, alterar comportamentos, adaptar rotinas, etc. Talvez depois consiga aproveitar muito melhor as tuas sugestões.
A ideia que tenho é que já está num ponto que não vai ver, nem fazer o caminho sozinha. Não sei se falei em depressão (é possível e não me apetece reler), se o fiz porque já tinha dito que teve uma no 1o pós parto e não estava bem tratada. Suponho que na altura terá tido esse diagnóstico.
O mais importante será pedir ajuda e dar início a um processo de mudança.
Desejo que a consulta tenha ajudado e que esteja no bom caminho

Anotski85 -
Offline
Desde 09 Jun 2020

Bem, não vamos nós estar a discutir o que é ou não é uma situação de disfuncionalidade. Do que eu sei sobre o assunto e já testemunhei entre familiares com essa condição, a pessoa nao tem capacidade para se levantar as 4h da manhã, rumar a Bragança para dar uma formação e regressar a casa à noite. Mas é como digo, eu efetivamente sou leiga em matéria de questões psiquiátricas, e admito-o sem qualquer problema.
De qualquer modo, nesta coisa de accionar serviços de respostas sociais, o marido também o pode fazer. aliás, sendo algumas para os pais dele, só ele as pode accionar. E essas já dariam um grande alívio no trabalho de cuidar que recai sobre esta família.

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