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Osteopatia Pediátrica

Osteopatia é uma medicina manual, cujo principal objetivo é resolver/corrigir as alterações músculo-esqueléticas apresentadas no pós parto e durante o crescimento do bebé, para que mais tarde, na idade escolar, adolescência e idade adulta, não surjam consequências ou compensações maiores.

O maior trauma músculo-esquelético acontece no parto; por vezes os partos muito longos, difíceis, muito rápidos, com recurso a fórceps ou ventosas, bem como a cesariana, deixam compressões ou restrições no corpo e crânio do bebé que, se não forem corrigidas, fazem com que o sistema músculo-esquelética procure compensações e alterações mecânicas que podem persistir e apresentarem-se através de diversas sintomatologias ao longo da vida.

Exemplo:

Um recém-nascido que tenha dificuldades a alimentar-se (dificuldade na sucção) pode ter como consequência cólicas, bolçar excessivo, obstipação… que naturalmente provocam dores que levarão o bebé a chorar muito.

Esta pequena alteração ou consequência (que é muito comum) pode também levar o bebé a não conseguir dormir as horas necessárias, a ter um padrão de sono pouco profundo, a acordar frequentemente, o que, tudo conjugado, resultará num bebé irritado, muito chorão e que apenas se acalma no colo.

O bebé cresce e após poucos meses as alterações digestivas desaparecem, mas as alterações do sono podem permanecer durante anos, influenciando o comportamento do bebé/criança, tornando-o mais irritável, exigente e irrequieto. Outro sinal visível é que o bebé/criança sentir-se-á mais confortável em movimento, podendo até atingir metas de desenvolvimento motoras precocemente e geralmente apresentam um corpo bastante tónico e contraído.

Outro sinal ainda é que tendem a ter mais dificuldade em se concentrarem e focarem, o que na idade escolar pode representar uma dificuldade na aprendizagem (por vezes, precipitadamente diagnosticado como “síndrome de défice de atenção” ou “hiperatividade”).

Também o sistema imunitário pode ressentir-se (em virtude da alteração do padrão de sono) com propensão a infeções repetidas. As otites são muito comuns, muitas vezes associado a uma diminuição da mecânica crânio-facial (compressão craniana excessiva durante o parto), resultando numa menor capacidade de drenagem de muco/secreções e facilitando assim a infeção na trompa de eustáquio. A obstrução nasal recorrente leva o bebé/criança a adquirirem uma respiração bucal, facilitando infeções a nível do sistema respiratório superior e influenciando a forma das arcadas dentárias, com maior propensão para cáries dentárias, protusão da língua (por não ter a barreira de encerramento da boca) e deformação da implantação dentária.

Seguindo o raciocínio osteopático, se as alterações/disfunções músculo-esqueléticas não forem corrigidas nos primeiros meses de vida, outras consequências poderão surgir, pelo que, facilmente se consegue perceber a mais-valia da osteopatia nestas idades (bebés/crianças).

Assim, a osteopatia não trata apenas a sintomatologia mas, essencialmente, corrige os desequilíbrios estruturais, facilitando a eficácia da função mecânica do corpo, sendo que, quando mais cedo os desequilíbrios forem detetados, maior será a eficácia dos tratamentos.

Concluindo, os bebés e as crianças têm por vezes alterações físicas para as quais os pais não estão suficientemente alertados e que, por isso, apenas são detetadas nas consultas de pediatria, motivo pelo que a estreita colaboração entre pediatras e osteopatas é importante e de certo permitirá alcançar bons resultados.

Exemplos de algumas alterações pediátricas frequentes onde a osteopatia pode atuar:

  • dificuldade na sucção;
  • choro excessivo;
  • cólicas;
  • obstipação;
  • bolçar frequente,
  • alterações do sono;
  • torcicolos congénitos e posturais;
  • alterações e assimetrias crânio-faciais;
  • alterações da postura do bebé deitado e sentado, assimetrias na distribuição do tonus muscular;
  • alterações assimétricas da posição sentada, no gatinhar ou na marcha;
  • diminuição da coordenação motora;
  • infeções respiratórias;
  • dores de cabeça;
  • desequilíbrio das curvaturas da coluna;
  • alteração de alinhamento dos membros inferiores;
  • alterações do plexo braquial.

Por Dra. Vanessa Faria Lopes, Osteopata

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