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Gravidez de risco

Existem inúmeros problemas de saúde que podem levar a uma gravidez de risco, especialmente a asma, doenças cardíacas, problemas da tiróide ou a pressão arterial elevada. São tudo factores que podem afectar uma gravidez, tornando-a numa gravidez de risco. Se sofre de alguma doença crónica ou outros problemas de saúde, converse desde logo com o seu médico, e certifique-se do risco que implicam na gravidez.

Talassemia

A talassemia, também denominada de anemia mediterrânea, é um problema de ordem genética. É um tipo de anemia hereditária causada pela redução ou ausência da síntese da cadeia de hemoglobina (uma proteína localizada no interior dos glóbulos vermelhos e que tem a função de transportar o oxigénio).

Existem dois tipos de talassemia:

  • Talassemia Alfa: é a forma mais comum das talessemias, sendo caracterizada pela deficiência ou ausência da produção da cadeia alfa (um indivíduo normal tem as duas cadeias: alfa e beta). É muito comum em mulheres do Sudoeste Asiático.
  • Talassemia Beta: é caracterizada pela deficiência na produção de cadeias beta. É mais incidente em mulheres da Ásia e do Chipre.

Tratamentos

Se possuir este tipo de problema, poderá necessitar de tomar suplementos de folatos e de ferro durante toda a gravidez.

Asma

Uma mulher grávida aumenta a necessidade de oxigénio em cerca de 50% em respirações profundas – especialmente nos primeiros 2 trimestres da gravidez. A asma como doença respiratória tem a característica de provocar falta de ar; se estiver grávida, a falta de fôlego será bem maior. Sentir dores de peito, falta de ar, tosse e pieira é comum. Usualmente apenas em casos de asma crónica é que o bebé pode ser afectado, podendo levar a um parto prematuro, ou restringir o crescimento do bebé.

Tratamentos

Quem sofre de asma usualmente ingere medicamentos como esteróides inaláveis ou orais, broncodilatadores inaláveis, mas que normalmente não representam grande risco na gravidez.

Trombose venosa e embolia pulmonar

Devido à necessidade de compensar a perda de sangue no parto, o sangue de uma grávida é mais espesso, tendo mais tendência a formar coágulos, podendo levar a uma tromboflebite (coágulos nas pernas) ou a uma embolia pulmonar (coágulos nos pulmões). Os sintomas da trombose venosa incluem vermelhidão, inchaço e dores nos músculos das pernas. Os sintomas de uma embolia pulmonar incluem falta de ar, dores no peito durante a inspiração e tosse (especialmente se for acompanhada de sangue). A idade mais avançada, a obesidade, cesariana, pré-eclampsia, imobilidade, trombofilia e antecedentes de coágulos sanguíneos, são tudo factores que aumentam o risco da formação de coágulos numa grávida.

Tratamentos

As tromboses e as embolias são situações muito graves, que podem colocar em causa a vida. Se tem tendência para este tipo de problemas, é bom que se aconselhe com o seu médico, podendo ele prescrever-lhe medicamentos que diminuam a espessura do sangue, impedindo desta forma o surgimento de coágulos.

Pressão arterial alta

A hipertensão pode surgir durante a gravidez, ou já ser um problema anterior. A hipertensão pode também estar relacionada com problemas renais ou cardíacos. Quando se sofre de hipertensão na gravidez, o risco de pré-eclampsia ou de um fluxo de sangue reduzido, pode afectar o desenvolvimento do bebé, ou até provocar um deslocamento prematuro da placenta.

Tratamentos

O tratamento para a tensão arterial alta deve ser doseado pelo médico. Se o tratamento já existir antes da gravidez deverá ser readaptado, tendo por vezes de ser suspenso até ao final da mesma. No entanto, pode também acontecer que devido a complicações, tenha de iniciar um tratamento para a pressão arterial durante a gravidez. Tudo dependerá da sua situação e dos riscos envolvidos. Para tratamento normalmente utiliza-se a metildopa. É fundamental vigiar a sua pressão arterial durante toda a gravidez, fazendo ecografias frequentes para verificar o estado e o desenvolvimento do bebé.

Colestase

A colestase pode desenvolver-se por volta do último trimestre da gravidez; pode dar origem a hemorragias pós-parto e, numa situação muito extrema, o bebé poderá nascer morto. Se foi diagnosticada com colestase, saiba que a probabilidade de voltar a sofrer do mesmo numa futura gravidez é muito elevada.

A colestase obstetrícia é uma diminuição ou interrupção do fluxo de bílis. É causada por um mau funcionamento do fígado, aumentando os ácidos biliares. Pode ser despoletada pela pressão do peso do bebé no fígado da mãe. No entanto, também pode dever-se à hepatite, pelo que deve ser verificado no diagnóstico.

A colestase tem como efeitos: um prurido que afecta pernas, braços, tronco e, especialmente, as palmas das mãos e solas dos pés. Dá origem a uma comichão generalizada.

Tratamentos

Se for diagnosticada com colestase, deve manter um nível de vigilância ao feto muito apertado. Usualmente, é administrada vitamina K para diminuir as possibilidades de hemorragia, bem como a toma de anti-histamínicos para reduzir e aliviar a comichão. Normalmente, o parto é antecipado para as 37 ou 38 semanas.

Doenças cardíacas

Numa gravidez é comum aumentar o ritmo cardíaco até 20% a mais, de pulsações por minuto. A pressão arterial diminui nos dois primeiros trimestres, normalizando no último. Se já tem tendências para problemas cardíacos, estes podem revelar-se durante a gravidez. O corpo vai-se preparando, pois o trabalho de parto exige um esforço maior da parte do coração. Se sofre ou tem tendência para problemas cardíacos, deverá informar-se com um cardiologista sobre os riscos de uma gravidez antes de engravidar, bem como fazer os exames necessários para verificar o estado do seu coração com uma ecografia ou electrocardiograma. É especialmente importante no caso de já ter sofrido uma cirurgia ao coração.

Problemas com a tiróide

A glândula tireóide ou tiróide, localizada na parte da frente do pescoço, é responsável pela regulação do organismo em geral. As hormonas da tiróide têm dois efeitos sobre o metabolismo: estimular quase todos os tecidos do corpo a produzir proteínas e aumentar a quantidade de oxigénio que as células utilizam.

Devido ao aumento do fluxo sanguíneo na gravidez, esta glândula tende a aumentar de volume. No entanto, podem existir problemas relacionados com esta glândula: pode ser hiperactiva, causando o hipertiroidismo; ou hipoactiva, causando o hipotiroidismo.

Tratamentos

Por norma quando se sofre de hipertiroidismo, são prescritos medicamentos antitiroideus, como o carbimazole ou propiltiouracilo. Qualquer uma destas substâncias pode causar hipertioroidismo fetal, pois podem passar a placenta e chegar ao bebé. O seu consumo deve ser mantido ao mínimo, e sempre controlado pelo médico. O bebé deve ser examinado logo que nasça, para verificar o seu estado.

O hipotiroidismo é usualmente tratado com tiroxina, não sendo comum ser causador de efeitos secundários no bebé, uma vez que a quantidade que atravessa a placenta é muito baixa.

VIH

Qualquer grávida deve fazer um teste VIH. Se o teste for positivo deverá fazer um tratamento que tem como objectivo diminuir as possibilidades do VIH passar para o bebé. Usualmente, a mãe seropositiva toma medicamentos anti-retrovirais no último trimestre, para reduzir a possibilidade do bebé contrair a infecção.

Usualmente uma grávida seropositiva é aconselhada a fazer uma cesariana e a amamentar através de biberão. Embora o bebé nasça com anticorpos VIH, não significa que esteja infectado. Nos meses seguintes ao parto, a saúde do bebé é analisada e controlada de forma a verificar os níveis do vírus no sangue.