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Dermatite atópica no bebé

Embora a dermatite atópica possa surgir em qualquer idade, frequentemente afeta mais crianças e bebés.

A dermatite atópica afeta 6 a 10% das crianças, e 10% desta percentagem apresenta também um registo de alergia alimentar.

Cerca de 60% destas crianças continuam a ter um ou mais sintoma da doença mesmo depois de atingirem a idade adulta.

É uma doença não contagiosa, para já, sem cura, mas as suas crises podem e devem ser controladas, principalmente quando se trata de um bebé. Saiba o que é a dermatite atópica, quais os tratamentos e cuidados que podem ajudar a controlar a doença.

O que é dermatite atópica

O termo “atópico” advém do grego “estranho”, o termo “dermatite” significa inflamação da pele.

A atopia é uma tendência pessoal ou familiar para manifestar reações de hipersensibilidade.

A dermatite atópica é uma doença de pele, crónica, não contagiosa, que surge de uma inflamação da própria pele.

Portanto, isto significa que existe uma maior suscetibilidade para a sua criança desenvolver uma reação a um estímulo externo que desencadeia as crises que vê representadas pelo aspeto alterado da pele.

Esta maior suscetibilidade surge de uma falha no sistema imunológico, com a qual o seu bebé terá nascido e que faz com que a pele reaja de forma exagerada a agressões externas comuns. Assim, quando um agente externo (exemplo: ar, clima, alimentos) interage com o seu bebé, o organismo não tem uma barreira protetora com as mesmas características que um não portador desta doença e, consequentemente, irá desenvolver anticorpos específicos (combatentes que defendem o organismo de seu filho contra este agente externo).

Por fim, são estes combatentes que, para proteger o organismo do bebé, vão desencadear uma resposta inflamatória e, é esta resposta inflamatória que provoca os sintomas característicos, que se expressam por modificações na pele.

Qual a sua origem

A sua origem é genética, ou seja, o seu bebé nasceu com uma falha no sistema imunológico, tendo sida adquirida pelos seus progenitores por hereditariedade.

O facto de ser de origem genética não significa que na sua linha de hereditariedade tenha de existir alguém exatamente com a mesma doença. Estes podem ter a deficiência no sistema imunológico e manifestar-se de uma outra forma como, por exemplo, asma ou rinite; ou apenas existir o gene silencioso nos pais sem este nunca se ter manifestado através de doença nenhuma.

Assim sendo, a doença parece resultar de uma combinação de hereditariedade genética com fatores ambientais.

Sintomas e sinais

As manifestações mais usuais incluem sempre vermelhidão, prurido (coceira), pele mais seca, normalmente com descamação da pele, vesículas (bolhinhas), podendo chegar a surgir pústulas ou pápulas. O coçar como resposta à comichão, aumenta a inflamação da pele, que é característica desta doença, piorando e prolongando o ciclo da doença. Nos bebés é mais frequente estes sintomas surgirem nas bochechas, pernas e/ou braços.

A dermatite atópica afeta cada criança de forma distinta, quer em termos de severidade, quer em termos de sintomas. Nos bebés, a dermatite atópica manifesta-se por volta das 6 a 12 semanas de idade. Pode começar a aparecer primeiro à volta das bochechas e do queixo em forma de irritação, podendo progredir para uma pele vermelha, seguindo-se uma infeção. Quando o bebé começar a gatinhar e a ganhar mais mobilidade, as aéreas expostas como os joelhos e cotovelos podem também ser afetadas. Um bebé com dermatite atópica pode ficar mais irritadiço devido ao desconforto e comichão provocados pela doença. Muitas crianças (melhoram por volta dos 18 meses de idade, mas mantêm um risco mais elevado de desenvolver mais tarde na vida pele seca e eczema nas mãos.

Fatores agravantes

Existem inúmeros fatores que podem agravar ou despoletar a dermatite atópica, incluindo baixa humidade, alergias sazonais, uso de roupa de lã ou sintética, exposição ao pó, pólen, detergentes ou tipos de sabão muito abrasivos e ao tempo frio. Os fatores ambientais podem ativar sintomas da dermatite atópica, em qualquer momento da vida de uma pessoa que tenha herdado a doença.

Tratamento da dermatite atópica

Ainda não existe cura para a dermatite atópica, mas existem tratamentos que podem controlar a condição da pele do seu bebé, devendo sempre ter cuidados especiais após a primeira crise, evitando ou retardando ao máximo uma próxima crise.

Cuidados a ter no banho

 Aquando do banho, pode aproveitar para um cuidado da pele no sentido de contrariar a presença de pele seca. Isto consegue-se com banhos rápidos, mornos, apenas usando sabonetes com pH 7 (neutro) e aplicando o sabonete só na área genital, nádegas e dobras da pele do bebé, com esponjas muito suaves, ou não usando nenhuma de todo. A pele deve ser seca sem esfregar e deve aplicar hidratante logo a seguir ao banho.

Como diminuir o prurido

O prurido (comichão) deve ser controlado diariamente para reduzir o desconforto do seu bebé e promover o desaparecimento da crise. Neste sentido, a hidratação da pele é essencial e os anti -histamínicos orais são medicamentos que podem ser considerados um bom aliado para diminuir a coceira que estas crises provocam.

No entanto, esta medicação apenas deverá ser dada ao bebé após conselho do médico.

Como os antibióticos podem ajudar

Quando estas crises se manifestam significa que a pele do seu bebé foi agredida por algum agente externo e o próprio organismo desenvolveu uma ação para o proteger que desencadeou os sintomas visíveis. Contudo, poderá acontecer que subjacente a esta agressão surja uma infeção, onde os antibióticos fazem todo o sentido, pois são uma forma muito eficaz de combater infeções.

No entanto, esta medicação terá que ser prescrita pelo médico após uma avaliação para detetar se existe ou não infeção subjacente.

Como os anti-inflamatórios podem ajudar

Este tipo de medicamento ajuda no controlo da inflamação, logo também na diminuição dos sintomas, podendo funcionar como analgésico para reduzir uma possível dor. Esta medicação deverá sempre ser aconselhada pelo seu médico.

Estudos realizados sobre o assunto

Estudos revelam que há cada vez mais indícios de que a dermatite atópica seja um percursor para uma possível e futura alergia alimentar e não uma consequência desta. Por este motivo, faz todo o sentido que alguns testes sejam realizados.

É aconselhado que, quer quando esta doença se manifesta de uma forma moderada ou mais severa, crianças com menos de 5 anos que tenham dermatite atópica infantil deveriam fazer uma avaliação para alergia alimentar a alimentos como: leite, ovos, amendoim, trigo e soja; se pelo menos uma destas condições estiverem presentes:

  • A criança ter dermatite atópica persistente apesar de uma gestão otimizada e terapia tópica;
  • A criança tem uma história de uma reação imediata após a ingestão de um alimento específico.

Outro estudo feito por Dr. Paller, que é professor de Pediatria e Dermatologia na Universidade Médica Northwestern em Chicago, afirma que para um tratamento que vise o controlo apropriado da doença, é necessário uma hidratação adequada da pele e um anti-inflamatório com um corticosteroide tópico. Contudo, a doença pode ser desencadeada por vários fatores, sendo importante estabelecer um tratamento personalizado para cada paciente.

Falando especificamente dos corticoides, um dos tratamentos usados, Dr. Paller diz que devido ao facto de este ser um tratamento de longo termo e, consequentemente estes medicamentos terem de ser usados continuamente, é necessário que o corticoide tópico a ser usado seja escolhido e aplicado com alguns cuidados, o que significa que não devem ser aplicados mais de duas vezes ao dia numa camada fina.

Acrescenta ainda que é normal os pais terem medo de tratamentos com corticoides, mas é importante lembrar que estes medicamentos estão disponíveis numa vasta gama de potências e que produtos com agentes não fluorados são seguros quando usados apropriadamente.

Dr. Paller acrescenta ainda que, especificamente em crianças, deve desencorajar-se os banhos longos, mas deve manter -se um banho rápido diário, pois é um dos momentos que fortalece o vínculo entre pais e filhos.

Refere ainda que os bebés têm uma pele extra sensível, portanto, há facilidade em irritação da pele por certos alimentos ou até baba, podendo-lhe provocar uma reação eritematosa nas bochechas, assim como, é de evitar o contato da pele do bebé com alguns têxteis, como é o caso da lã.

Corticoides de baixa potência ajudam a manter esta reação eritematosa sobre controlo. Quanto à lã, é importante que nem a roupa do bebé seja deste material nem a dos que interagem com ele.

Considera-se ainda primordial saber que uma alergia de contato pode agravar uma dermatite atópica e que a alergia de contato com o níquel é uma das situações mais comuns em crianças.

Níquel pode ser encontrado em joias, cintos, calças de ganga e pode-se desconfiar de alergia por contato ao níquel através do tamanho da área afetada. Se o contato com estes materiais não for eliminado, a dermatite fica mais difícil de controlar.

Por fim, uma das maiores preocupações dos pais são as possíveis cicatrizes. Neste sentido, Dr. Paller diz que uma lesão de dermatite atópica por si só não deixará na pele uma cicatriz, mas existe probabilidade de isto acontecer se a lesão vier acompanhada de uma escoriação crónica e infeção. Apesar de ser possível surgir alguma alteração na pigmentação da pele pós-inflamação, principalmente em pessoas com pele mais escura, esta situação resolve-se se a doença for controlada.

Embora os sintomas da dermatite atópica possam ser muito difíceis e desconfortáveis, a realidade é que nos bebés a doença pode chegar a desaparecer, ou ser gerida de formas bem-sucedidas. Uma pessoa que sofra de dermatite atópica pode viver uma vida normal. No entanto, deve sempre gerir a doença com um alergologista e dermatologista.